Evento internacional será transmitido online e vai contar com a participação de movimentos e ativistas de direitos humanos

Texto: Divulgação

Imagem*: Henrique Fonazin

Começa nesta segunda-feira (26), a 6ª edição do Julho Negro, articulação internacional criada por organizações, movimentos e entidades da sociedade civil de direitos humanos e antirracista. O objetivo da rede é fortalecer a luta contra a militarização, o racismo e o arpatheid no Brasil e nos países do Sul Global. No total, serão cinco dias de eventos, com sete atividades, além do lançamento do mini-documentário que registrou o histórico do Julho Negro, com depoimentos de quem faz esse movimento de luta e resistência. 

Este ano, sob o tema “Nem Tiro, Nem Fome, Nem Covid!”, o Julho Negro será transmitido por meio das redes sociais, devido às medidas de restrição para contenção da Covid-19, da Organização Mundial de Saúde (OMS). O Julho Negro é realizado há cinco anos no estado do Rio de Janeiro, mas também reúne diversos ativistas de direitos humanos de diferentes partes do mundo para denunciar violações dos Estados. 

Julho Negro globaliza as resistências

Nesta 6ª edição, lideranças sociais do Brasil, Palestina, Colômbia e Honduras vão debater a situação do enfrentamento da pandemia no mundo na perspectiva da população deixada à margem sob o manto das desigualdades sociais globais. A partir do eixo “Nem Tiro, Nem Fome, Nem Covid”,  grito de resistência de pretos, pobres e periféricos que tomaram as ruas, o Julho Negro, vai dialogar e refletir como “se os Estados globalizam as violências” , é necessário “nós globalizarmos a resistência!”. 

Uma vez que, no contexto do Sul Global, o genocídio do povo negro e dos povos originários se dá de diversas formas, “por isso, o objetivo do Julho Negro é articular lutas e coletivos de todo o mundo para o enfrentamento à violência racial e todas as facetas do racismo. Pelo fim de todas as formas de opressão, pela desmilitarização da vida e por uma sociedade justa e igualitária”, destaca Monique Cruz, pesquisadora da Justiça Global.

Genocídio

A fome aumentou no Brasil. Nos últimos meses de 2020, 19 milhões de brasileiros passaram fome, de acordo com pesquisa divulgada pelo Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil. Somado a essa situação, o país enfrenta uma das piores crises sanitárias diante da falta de políticas efetivas para a contenção da Covid-19. Ainda que o número de pessoas mortas seja considerado alto, o governo critica o lockdown, uma das medidas de restrição e contenção da Covid-19. O país ostenta a marca de mais de 539 mil mortes e mais de 19 milhões de infectados pela Covid-19.

Quando não é de fome, nem de Covid, a população negra morre de tiro, assassinada em operações policiais letais pela Polícia Militar Estadual do Rio de Janeiro e demais forças de segurança do Estado. Apenas em 1 dia, 25 pessoas negras foram mortas na chacina promovida pelo Estado do Rio de Janeiro, na Favela do Jacarezinho, à luz do dia. A ação ocorreu mesmo após a ADPF 635, que suspende operações policiais durante a pandemia. De acordo com dados do Instituto Fogo Cruzado, laboratório de dados sobre violência armada, foram registrados cerca de 15 tiroteios por dia na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, apenas no primeiro semestre de 2021.

Realização: 

O Julho Negro é organizado pelos movimentos de Mães e Familiares Vítimas da Violência do Estado: Rede de Comunidades e Movimento contra a Violência, Movimento Moleque, Mães de Manguinhos, Rede Nacional de Mães e Familiares Vítimas do Terrorismo do Estado; Movimento Independente Mães de Maio; movimentos e organizações de favelas e periferias do Estado do RJ: Raízes em Movimento, Maré 0800, Iniciativa e Direito à Memória e Justiça Racial/IDMJR e Instituto de Defesa da População Negra/IDPN; e Fóruns e frentes: Fórum Social de Manguinhos, Fórum de Juventudes RJ e Frente Estadual pelo Desencarceramento RJ, e que contam com apoio de algumas organizações sociais do Estado do Rio de Janeiro: Justiça Global, Instituto Pacs e Fase RJ.

Programação do 6º Julho Negro 

  • 26 de julho
    19h – Guerra pra Quem? com lançamento do vídeo da Rio on Watch com David Amen. 

Participação: 

Soraya Misle (jornalista palestino-brasileira, mestre e doutoranda em Estudos Árabes pela USP); 

Gizele Martins (Comunicadora comunitária e Integrante do movimento de favelas, no Rio de Janeiro); 

Oscar Vargas (Colômbia) – Antimilitarista integrante de la campaña BDS en solidaridad con Palestina. 

  • 27 de julho
    10h30 – “O judiciário nunca será instrumento do povo” (Luiz Gama)  

Debate sobre os limites do arcabouço jurídico para as lutas sociais. Participantes: 

Joel Luiz (Instituto de Defesa da População Negra/IDPN); 

Giselle Florentino (Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial/IDMJR); 

Narubia Werreria (Ativista indígena Iny (TO));

Sonia Ara Mirim – (Liderança Guarani Mbya (SP)); 

Mediação: Juliana Muniz.

  • 18h30Desmistificando a abolição das polícias

Participantes: 

Fransérgio Goulart e Giselle Florentino (IDMJR); 

Debora Silva (Movimento Independente Mães de Maio); 

Dina Alves (apoiadora Movimento Mães de Maio Joel Luiz / IDPN);  

Gal Souza (BDS – Brasil);

Vicenta Moreno (Associación Casa Cultural el Chontaduro/Colômbia).

Mediação: Juliana Muniz

  • 28 de julho
    18h – Desmilitarização por elas
    Atividade de lançamento das publicações: 

“Fortaleza das mulheres: relatos sobre a militarização da vida” (Pacs) e “Violências de gênero em contextos militarizados: uma cartografia escrita por mulheres” (Fase). Com a participação das autoras. 

Participantes

Erika Batista (Moradora da Maré);

Gizele Martins (Maré 0800);

Beatriz Virgínia (Ceasm);

Militão (Maré);

Jessica Lene (Labjaca);

Buba Aguiar (Coletivo Fala Akari);

Marcelle Decothé (Instituto Marielle Franco e Fórum de Juventudes-RJ);

Mônica Cunha (Movimento Moleque);

Coletiva Popular de Mulheres da Zona Oeste.

  • 29 de julho
    10h30 Prevenção e Combate à Tortura no Brasil: desafios e práticas abolicionistas para o agora

Participantes: 

Yalorixá  Bátia de Oxum (Liderança religiosa do Ilé Asé Opó Iyá Olodoydé, SP); 

Maria Teresa dos Santos (Presidenta da Associação de Amigos e Familiares de Pessoas em Privação de Liberdade); 

Wilma Melo (Fundadora e presidenta do Serviço Ecumênico de Militância); 

Patricia Oliveira (Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência). 

Mediação: Monique Cruz (Justiça Global).

  • 18hADPF 635 – Incidência Política e Lutas Sociais
    Participantes

Patrícia Oliveira (Rede de Comunidades e Movimento contra a Violência); 

Daniela Fichino (Justiça Global); 

Beatriz Vidal (IDMJR); 

Patricia Oliveira (Mães de Manguinhos).

  • 30 de julho

18h – A pandemia não acabou: Movimento de Familiares na luta contra a fome e a favor da vida. 

Participantes: 

Luciano Noberto (Rede Contra a Violência); 

Nívia Raposo (Rede de Mães da Baixada); 

Fernanda Oliveira (Frente Estadual Pelo Desencarceramento/BH); 

Priscila Flores (Coletivo de Familiares do Amazonas); 

Eronilde (Mães de Maio do Cerrado); 

Nagida Gomes (Mães do Xingu); 

Mediação: Patrícia Oliveira 

*Imagem do II Julho Negro realizado quando ainda não havia pandemia