Em nota, a escola nega incidentes internos e diz que as violências contra a estudante aconteceu no ambiente virtual

Por Daiane Oliveira e Patrícia Rosa

Uma adolescente de 12 anos, aluna do Colégio Ponto Alto, em Salvador (BA), foi vítima de bullying e agressões psicológicas por parte dos colegas de classe. O caso veio à tona nesta terça-feira (22), quando o tio da vítima, o cantor Filipe Escandurras usou suas redes sociais, para  denunciar mensagens de ódio e ameaças que a adolescente dos colegas através de um grupo no aplicativo WhatsApp.

A mãe da menina, Soleide de Carvalho, de 49 anos, contou que as violências começaram há cerca de seis meses, ainda no começo do ano letivo. “Minha filha estava no horário de intervalo, quando uma colega chamou-a de cabeça de ladeira. Todo mundo ficou rindo e olhando para ela, que se retirou do local e foi para o banheiro chorar.”

Uma das irmãs da adolescente que estuda na mesma escola a encontrou chorando no banheiro, foi quando a família ficou sabendo das agressões constantes que a adolescente era submetida pelos colegas. Outra irmã da vítima, de 29 anos, esteve no colégio representando a família para cobrar medidas diante institucionais para impedir que as violências continuassem.

“A coordenadora disse que era brincadeira de criança e que quando os meninos falavam ela ria. A irmã dela perguntou se ela não percebeu que rir era um mecanismo de defesa que ela encontrou”, lembra Soleide que ainda denuncia não ter sido convidada pela escola para conversar com os pais dos adolescentes envolvidos no episódio.

A violência continuou durante todo o ano de 2022, de acordo com a família. Em outro momento, a vítima levou uma ‘bolada’ de um colega, durante uma aula de educação física. Nas mensagens que a adolecente recebeu e foram expostas, o agressor informa que foi intencional.

“A bolada que você levou de mim naquele dia deveria ter sido um saque mais forte que eu já dei na minha vida, para ver se você acorda pra vida. Só respondemos você no ódio”,  escreveu o garoto.

A família mostrou o desapontamento com a falta de apoio da instituição com a aluna, tanto no reconhecimento quanto a seriedade do bullying, quanto a proteção  à menina. “A escola não se posicionou, não se preocupou com a saúde mental da minha filha, em momento nenhum ligou para ela, só se preocupou com a imagem deles enquanto instituição” afirmou a mãe.

Segundo Soleide de Carvalho, além das medidas legais, como queixa na Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra a Criança e o Adolescente (Dercca) e ação civil, a família também pensa na troca de escola da adolescente. A mãe denuncia que já percebia que a instituição não tomava medidas cabíveis para denúncias de racismo e bullying.

“Minha filha é negra e de repente esse coleguinha que está fazendo isso com ela é uma criança de cor clara e pela escrita dele você vê o quanto ele tem um repúdio. Eles não querem se indispor, acho que estão preocupados mais com a questão financeira do que com as pessoas. Têm mães lá nos comentários da rede social de Escandurras e dizem que os filhos também sofreram isso”, denuncia Solenoide.

O Colégio Ponto Alto se posicionou através de nota, com a mensagem padrão repudiando a violência e afirmando que “não compactua com discurso de ódio e bullying”. Diferente do que afirma a família da estudante agredida, a escola informa que tomou conhecimento do que vinha acontecendo através das redes sociais.

“A escola informa ainda, que apenas foi trazido até a direção, no início do ano letivo, um desentendimento isolado da aluna com um estudante, que culminou numa briga entre os responsáveis pelas crianças e que o caso foi resolvido sem que houvesse depois disso qualquer desdobramento ou informação trazida à escola sobre essa ou outra crise entre os alunos da sala”, se posicionou a instituição.