Na Bahia, a letalidade da polícia aumentou em 46,5%

Por Andressa Franco

Imagem: Mauro Pimentel/AFP

Foi publicado na última quinta-feira (15) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), a 15ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Com base nos dados disponibilizados pelos estados, o levantamento soma 6.416 mortes por intervenção policial em 2020 no país, dessas vítimas, 5.062 eram negras, o que equivale a 78,9%.

No ano anterior, 2019, o anuário contabilizou 6.357 mortes pelas polícias brasileiras, das quais 79,1% eram negras, uma porcentagem semelhante a do último levantamento, com perfil majoritariamente masculino e jovem.

A análise do Anuário mostra que, por mês, foram assassinadas 422 pessoas negras, isso representa sete pessoas negras mortas a cada turno de 12 horas de trabalho das polícias, já a porcentagem de pessoas brancas como vítimas fatais, é de 20,9%.

Os dados do Atlas da Violência feito em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), também do ano passado, indicam que foi de 11,5% o aumento de homicídios de pessoas negras e uma queda de 12,9% no homicídio de pessoas brancas na década de 2008 a 2018. De acordo com estimativa dos números do IBGE, a população brasileira é formada 56,1% de pretos e pardos e 42,7% de brancos.

Letalidade policial aumenta na Bahia

Segundo o Anuário, a taxa de letalidade da polícia baiana aumentou em 46,5%, e a Bahia está na segunda posição entre os estados com maior taxa de morte violenta intencional a cada 100 mil habitantes (44,9), atrás apenas do Ceará, com uma taxa de 45,2. Municípios como Feira de Santana e Simões Filho integram a lista das 10 cidades com maiores taxas de mortes violentas intencionais do Brasil.

Em dezembro de 2020, a Rede de Observatórios da Segurança divulgou o relatório “A Cor da Violência Policial: A Bala Não Erra o Alvo”, o levantamento indica que das 489 vítimas por intervenção policial identificadas em 2019, 474 eram negras, número que equivale a 96,9% do total, sendo o estado com o maior percentual de negros mortos pela polícia entre os demais analisados no estudo: Ceará (87,1%), Pernambuco (93,2%), Rio de Janeiro (86%) e São Paulo (62,8%).