O feminicida foi condenado a 18 anos e 6 meses de prisão em regime fechado. Nathalia Figueiredo, delegada responsável pelo caso, se mostrou surpresa com a decisão visto que o réu assumiu a culpa

Por Patrícia Rosa

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Após dois julgamentos cancelados, Thiago Mayson da Silva Barbosa foi condenado a 18 anos e 6 meses de prisão em regime fechado pelo estupro e feminícidio da estudante Janaína Bezerra, de 22 anos. O réu foi condenado pelos crimes de homicídio  culposo, quando não há intenção de matar, emprego de meio cruel, estupro de vulnerável, vilipêndio de cadáver (por estuprar Janaína após a morte) e fraude processual. 

A pena prevista para todos os crimes de alta crueldade era de 40 a 50 anos de prisão. O julgamento aconteceu na última sexta-feira (29) e a sentença foi dada na madrugada do último sábado (30), após cerca de 20 horas.

O júri popular foi composto por quatro homens e três mulheres. A advogada Florence Rosa, assistente de acusação, confirmou que será feito o pedido de anulação do julgamento, “por acreditar que houve um equívoco por parte dos jurados”.

A delegada Nathalia Figueiredo, titular do Núcleo de Feminicídio do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e responsável pelo caso, demonstrou surpresa com a decisão do tribunal. Ela afirmou ao portal cidadeverde.com, que ficou claro para a Polícia Civil  que o réu assumiu a produção de resultado morte. “O júri decidiu pelo homicídio culposo, talvez tenha colocado a questão da imprudência. Eu acho que vai totalmente de encontro com o que foi produzido. Eu continuo entendendo que houve assunção do risco de produção de resultado morte”, diz Figueiredo.

Relembre o caso

A estudante de comunicação social Janaína Bezerra, de 22 anos, foi estuprada e morta em 27 de janeiro deste ano durante uma festa de calourada, dentro de uma sala na  Universidade Federal do Piauí (UFPI). O acusado, que era mestrando do curso de matemática da instituição, foi pego em flagrante por um segurança na manhã seguinte do crime, com a vítima desacordada nos braços. O laudo do Instituto Médico Legal constatou que a estudante foi estuprada e morreu por ter tido o pescoço quebrado.