O Nós por Nós – Observatório de Justiça Reprodutiva no Nordeste apresentará informações sobre condições de vida, acesso a serviços e Projetos de Lei relacionados à saúde sexual e reprodutiva na região

Texto: Divulgação

Ilustração: Ani Ganzala

Na terça-feira (26), o Odara – Instituto da Mulher Negra realizará o lançamento virtual do Nós Por Nós – Observatório de Justiça Reprodutiva do Nordeste, criado com o objetivo de reunir informações sobre as condições de vida e acesso a serviços de saúde sexual e reprodutiva na região. O evento será transmitido ao vivo através do YouTube, a partir das 18h.

O lançamento vai contar com a presença da equipe responsável pela produção do Observatório, além de parceiras, pesquisadoras e ativistas convidadas para discutir o tema da Justiça Reprodutiva a partir da realidade dos seus estados.

A criação do Observatório foi motivada pela crescente situação de violências e violações de direitos sexuais e reprodutivas no país, que afeta de maneira desproporcional as mulheres negras da região Nordeste – as mais vitimadas pelas injustiças reprodutivas. 

O Nós por Nós – Observatório de Justiça Reprodutiva do Nordeste busca produzir dados neste campo, além de visibilizar as pesquisas já existentes, a fim de fortalecer a incidência política dos Movimentos de Mulheres Negras da região, por políticas públicas mais justas e acessíveis.

O Observatório traz ainda um levantamento inédito que aponta os Projetos de Lei (PLs) tramitados nas câmaras estaduais durante os últimos cinco anos acerca do tema. No site, também será possível acessar a série de reportagens (In)justiças reprodutivas: nossas vidas importam!, que apresenta casos emblemáticos de violações de direitos sexuais e direitos reprodutivos, em todos os estados do Nordeste, pela ótica da Justiça Reprodutiva.

Tamiz Lima, doutoranda em Saúde Coletiva e integrante da equipe do Observatório, destaca que “o controle da reprodução, exploração dos corpos e das sexualidades tem sido historicamente uma ferramenta de dominação”. Por isso, entende que “pensar Justiça Reprodutiva significa propor uma radical transformação social a partir da lente da interseccionalidade, que leve em conta nossa realidade de mulheres, negras, nordestinas”.

Naiara Leite, coordenadora executiva do Odara – Instituto da Mulher Negra, ressalta que esta é uma agenda muito cara às mulheres negras do Nordeste, por representarem a população que é mais atingida pelas mortes em decorrência do aborto inseguro, pelo racismo institucionalizado no sistema público de saúde, pela violência obstétrica e pela falta de acesso à dignidade menstrual.

“O Observatório tem a tarefa de monitorar, revelar novos dados e potencializar os dados já existentes, para assim, pressionar o campo legislativo, como também o executivo e o sistema de justiça, para que a gente tenha minimamente os nossos direitos assegurados e para que as denúncias do campo da Justiça Reprodutiva tenham maior repercussão e impacte na melhoria do sistema em cada estado da Região Nordeste”, explica Naiara.

O Nós por Nós – Observatório de Justiça Reprodutiva do Nordeste é realizado através do Programa de Saúde das Mulheres Negras, do Odara – Instituto da Mulher Negra. A ação faz parte do projeto Mulheres Negras da região Nordeste em Defesa da Justiça Reprodutiva, iniciado em 2022 em parceria com a Fós Feminista, a Rede de Mulheres Afrolatinoamericanas, Afrocaribenhas e da Diáspora e a Rede de Mulheres Negras do Nordeste.

Serviço

O QUÊ: Lançamento do Nós Por Nós – Observatório de Justiça Reprodutiva do Nordeste

QUANDO: 26 de Setembro, às 18h.

ONDE: Ao vivo no YouTube.