A Plataforma Mulher Segura conecta vítimas a redes de apoio e é termômetro do impacto da pandemia na segurança das mulheres. Denúncias de violência doméstica no Disque 100 subiram 37,5% no primeiro semestre do ano passado

Texto e Imagem: Divulgação 

Lançada no fim do ano passado, a Plataforma Mulher Segura, um site do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) que conecta mulheres em situação de violência a redes de apoio em todo o país, já recebeu 3,7 mil acessos nos dois primeiros meses deste ano. A Plataforma Mulher Segura é uma iniciativa do UNFPA em parceria com a Embaixada do Reino dos Países Baixos e da Embaixada do Canadá e foi criada com o objetivo de fornecer informação e assistência a possíveis vítimas de violência de gênero durante a pandemia. De acordo com a agência da ONU, a violência contra a mulher tem escalonado durante a crise de saúde e a busca por ajuda por meio do canal demonstra a urgência em manter os serviços de apoio funcionando.

Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), as denúncias de violência contra as mulheres por meio do Disque 100, o canal oficial de denúncias do Governo Federal, subiram  37,5% no primeiro semestre de 2020, em comparação a 2019. No mesmo período, o número de feminicídios subiu 1,9%.

De acordo com a Representante do Fundo de População das Nações Unidas, Astrid Bant, o aumento da violência de gênero se agravou com a  pandemia. “O aumento da violência de gênero durante a pandemia é um problema sério que precisa ser encarado e enfrentado neste momento, por toda a sociedade. As mulheres precisam continuar tendo acesso a mecanismos de denúncia e proteção, assim como a informações qualificadas sobre como e onde pedir ajuda. Esses serviços devem continuar funcionando e estar disponíveis também online, de forma que o pedido de ajuda possa vir mesmo entre aquelas que estão dentro de casa”, alerta.

Criada com o propósito de ajudar as mulheres de todo o país a encontrarem esses serviços de proteção mais próximos de suas casas, a Plataforma Mulher Segura também concentra algumas informações sobre os diversos tipos de violência, as legislações a respeito, instrui as mulheres sobre como denunciar e traz outras funcionalidades de comunicação. A oficial para Equidade de Gênero, Raça e Etnia do Fundo de População da ONU, Luana Silva, observa que a maior parte dos acessos à plataforma ocorrem durante a semana e por meio de dispositivos móveis, como celular e tablet. Existe uma concentração de acesso das mulheres da região Sudeste do Brasil, exponenciando as desigualdades de acesso à rede de internet. O objetivo, de acordo com ela, é expandir a divulgação do serviço, para que permita o acesso a mulheres de todas as regiões, inclusive no Norte.

“Esta plataforma é imprescindível em um momento como este, por filtrar e apresentar os canais de ajuda disponíveis. Queremos ampliar essa possibilidade a mulheres que, nos rincões mais desiguais do país, possam estar sendo silenciadas. É uma ação urgente e necessária”, afirma.

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