Caminhada acontece na segunda-feira, 20/06, da Praça do Lobato ao Parque São Bartolomeu, no Subúrbio Ferroviário

Texto: Divulgação

Imagem: Nilton Lopes

Com objetivo de chamar atenção da população para as violências praticadas contra jovens negros e negras na Bahia e no Brasil, acontece na próxima segunda-feira (20) a 3ª Marcha Incomode: Contra o Genocídio e o extermínio, a LGBTfobia, o feminicídio, o ódio religioso e o encarceramento em massa da Juventude Negra.

A concentração para a caminhada está marcada para às 13h30 na Praça do Lobato, Subúrbio Ferroviário de Salvador. Os participantes marcharão em direção ao Parque São Bartolomeu, bairro de Plataforma, também conhecido como Quilombo do Urubu, onde realizarão o Sarau Incomode, com apresentações culturais. Esse ano, o evento terá como novidade a abertura com uma ala formada por Yalorixás e Babalorixás e outros representantes de religiões de matriz africanas.  

“Ocuparemos o espaço da rua como símbolo de luta. Além de denunciar, queremos anunciar que existe uma juventude organizada, aquilombada, que está fazendo o enfrentamento à violência de forma qualificada”, comenta Eduardo Machado, educador do Projeto Juventude Negra e Participação Política (JNPP), desenvolvido pela CIPÓ – Comunicação Interativa, em parceria com a Aliança Terre des Hommes Schweiz/Suisse.

A Marcha também marca o Dia municipal e estadual de Luta Contra o Encarceramento da Juventude Negra (Salvador e Bahia, respectivamente). A luta contra o feminicídio, a LGBTQIAP+fobia e o ódio religioso também estarão na pauta da Marcha, que contará com a presença de representantes de movimentos sociais, grupos culturais e comunitários. A ação é organizada pelo Coletivo Incomode, articulação política composta por grupos, movimentos e organizações sociais que atuam no Subúrbio Ferroviário de Salvador.

Bahia é o segundo estado com maior taxa de homicídios de jovens

Em 2019, em média, 64 jovens foram assassinados por dia no Brasil, segundo dados do Atlas da Violência 2019, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Ao todo, 23.327 jovens tiveram suas vidas ceifadas como conta o último levantamento do Atlas. Esse número representa uma taxa de 45,8 homicídios para cada 100 mil jovens no país.

A Bahia é o segundo estado com maior taxa de homicídios de jovens, segundo o levantamento. O estado registrou um total de 97 homicídios para cada 100 mil jovens, mais do que o dobro da média nacional. Ainda segundo o Atlas, em 2019, 77% das vítimas de homicídios no Brasil forampessoas negras. Na Bahia, esse número chega a 94%.

O número de homicídios entre as mulheres no Brasil também se mostrou expressiva, revela o Atlas da Violência 2021. São cerca de 10 assassinatos por dia. Ao todo, 3.737 mulheres foram mortas em 2019. A questão racial também é preponderante aqui: as mulheres negras representam 66% de todas as mulheres assassinadas no País. O risco de uma mulher negra ser morta é 1,7 vezes maior do que uma mulher não negra. 

Jovens e negros são também maioria entre a população carcerária no Brasil, que em 2016 chegou a um total de 726,7 mil, segundo dados do Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen). Mais da metade desse segmento era formado por jovens de 18 a 29 anos e 64% do total eram negras.

“A proposta de toda essa mobilização é dar visibilidade à juventude negra, trazendo o seu lugar de destaque na luta contra o feminicídio, genocídio, LGBTQIAP+fobia, hiperencarceramento, intolerância religiosa, contra todas as violações de direitos humanos, sociais e básicos e pela valorização da vida”, explica Nadjane Cristina, integrante da articulação do Coletivo Incomode.

O Coletivo Incomode

O Coletivo Incomode se define como um espaço aberto e suprapartidário, que busca qualificar a luta contra o racismo, sobretudo contra o genocídio da população negra do território em questão. Entre os grupos que integram o Coletivo, estão grupos do Movimento Hip Hop de Salvador, grêmios, coletivos artísticos e culturais, além de organizações dos movimentos social e negro, que atuam no território do Subúrbio Ferroviário.