O bailarino foi o primeiro negro a dirigir o Balé da Cidade de São Paulo e o Teatro Nacional Alemão

Por Andressa Franco

Imagem: Reprodução Facebook

O dançarino, coreógrafo, diretor e curador Ismael Ivo morreu na noite da última quinta-feira (8), aos 66 anos, vítima de Covid-19. A morte do artista, que há quase um mês estava internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, foi anunciada através de sua assessoria pelas redes sociais. Há duas semanas o bailarino, que chegou a ser intubado, havia deixado a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), no entanto, uma piora em seu quadro clínico durante a madrugada da quinta-feira resultou em sua morte.

Figuras públicas manifestaram seu pesar através das redes sociais, como o advogado, filósofo, escritor e professor universitário Silvio Almeida, “Hoje o Brasil perdeu para a Covid-19 Ismael Ivo, um dos maiores artistas da nossa história”, escreveu. Também lamentaram a morte de Ivo o governador de São Paulo, João Dória (PSDB); a coreógrafa Inês Bogéa, diretora da São Paulo Companhia de Dança; o rapper Emicida, que escreveu em seu Twitter “A dança acorda mais triste hoje”, entre outras personalidades.

Nascido na cidade de São Paulo e de origem humilde, criado apenas pela mãe, que era trabalhadora doméstica, foi na Europa que decolou com sua carreira, apesar de ter despontado na dança contemporânea ainda em São Paulo, nos anos 1970. Entre suas conquistas em território internacional, Ismael Ivo foi o primeiro negro a dirigir o Teatro Nacional Alemão, em Weimar. Também fundou o festival de dança contemporânea ImpulsTanz na Áustria, ao lado do diretor artístico Karl Regensburger, e trabalhou com grandes nomes da dança, como a artista performática sérvia Marina Abramovic, a diretora de balé alemã Pina Bausch, e o dançarino estadunidense William Forsythe.

Passadas mais de três décadas longe do Brasil, o bailarino retornou em 2017 para assumir a direção do Balé da Cidade de São Paulo, também o primeiro negro a ocupar o cargo.

Ismael Ivo foi condecorado pelo Ministério da Cultura com a Ordem do Mérito Cultural, em 2010, ordem honorífica concedida a personalidades, grupos artísticos, iniciativas ou instituições brasileiras e estrangeiras como reconhecimento pelas contribuições à cultura do Brasil.