Texto: Divulgação
O Instituto EGBÉ – Cultura e Educação Afro-brasileira iniciou, neste mês de maio, o EGBÉ LAB – Fortalecendo o Cinema Negro Sergipano, laboratório de desenvolvimento audiovisual voltado à construção narrativa de um longa-metragem e um telefilme produzidos no estado. A iniciativa reúne cineastas negras sergipanas e profissionais formadas pela Escuela Internacional de Cine y Televisión de Cuba (EICTV) em um processo que articula formação, intercâmbio e criação audiovisual a partir de referências do cinema negro brasileiro e afrodiaspórico.
O projeto busca fortalecer narrativas ligadas ao território, à memória, à estética e à representação negra no audiovisual sergipano. A proposta integra roteiro e direção como partes centrais da construção da linguagem cinematográfica e inclui consultorias coletivas e individuais, exercícios de escrita e reescrita, além da preparação de materiais para circulação e pitching.
Segundo João Brazil, produtor executivo do projeto e diretor institucional do Instituto EGBÉ, a criação de espaços contínuos de formação é uma necessidade para realizadores negros no estado.
“O EGBÉ LAB nasce desse desejo de fortalecer narrativas construídas a partir dos nossos territórios, das nossas experiências e dos nossos imaginários, conectando o cinema negro sergipano a diálogos mais amplos da diáspora e do audiovisual latino-americano”, afirma.
O processo formativo é conduzido pelo roteirista e pesquisador Victor de Rosa, ao lado da roteirista cubana Xenia Rivery e da cineasta Everlane Moraes, ambas formadas pela EICTV. Além das atividades de desenvolvimento audiovisual, o projeto realizará, em 23 de maio, uma masterclass online aberta ao público com Everlane Moraes.
O laboratório acompanha o desenvolvimento do longa-metragem “Abya Yala: Raízes do Futuro”, dirigido por Carolen Meneses. A obra de ficção especulativa acompanha uma cidadã do ano 3000 que retorna ao passado em busca da semente de uma árvore luminosa capaz de regenerar a flora de seu tempo. Carolen dirigiu os curtas “Ímã de Geladeira”, “Babá Eletrônica” e “Corre”, produções marcadas por discussões sobre juventude, território e imaginários contemporâneos.
Já o telefilme “Samba de Celebração”, dirigido por Luciana Oliveira, propõe uma docuficção sobre tradições quilombolas relacionadas ao nascimento e à continuidade cultural. A narrativa acompanha Alice, uma mulher grávida que precisa decidir se realizará a “meladinha”, celebração tradicional de sua comunidade após o nascimento do bebê. Luciana dirigiu obras como “Espelho”, “Puérperio” e “O corpo é meu”, além de ter sido finalista do programa Narrativas Negras Não Contadas, da Warner Bros. Discovery, e selecionada para o Fundo William Greaves, da Firelight Media.


