Texto: Divulgação
A Rede Comuá, que reúne 20 fundos e organizações doadoras independentes, realiza no dia 17 de setembro o Festival Filantropia e Democracia, no Instituto Brasileiro de Teatro (iBT), em São Paulo. O encontro tem como objetivo apresentar práticas da filantropia comunitária e independente voltadas ao fortalecimento da democracia. Diferente dos formatos tradicionais, em vez de concentrar a programação em painéis e mesas, o Festival traz como proposta jogos, oficinas, uma simulação legislativa e atividades artísticas. O formato convida as pessoas participantes a discutir, na prática, como o financiamento pode contribuir para a redistribuição de recursos e poder.
“O Festival é um convite para experimentarmos novas formas de encontro e engajamento. Será, antes de tudo, um espaço para reafirmarmos o compromisso político da filantropia independente com a democracia e mostrar que é urgente conectar esses dois campos e analisar suas respectivas crises de forma conjunta”, afirma Gugo Siqueira, assessor de Parcerias e Influência da Rede Comuá.
O Festival acontece em um momento de retração do financiamento destinado às agendas de direitos. Relatório publicado em 2025 pela Human Rights Funders Network estima uma redução anual de US$ 1,4 bilhão a US$ 1,9 bilhão na ajuda internacional voltada aos direitos humanos até 2026, em comparação com 2023. Segundo o estudo, movimentos pela igualdade de gênero e pelos direitos LGBTQI+ estão entre os mais afetados.
No Brasil, o Censo GIFE 2024–2025 mostra que o investimento em “Defesa de direitos, cultura de paz e democracia” somou R$ 169 milhões em 2024, uma retração de 34% em relação a 2022. Das 138 organizações respondentes, 31% informaram alguma atuação no combate ao racismo e à desigualdade racial e étnica, mas apenas 4% apontaram o tema como seu foco prioritário.
A pesquisa Movimentos Sociais e Filantropia no Brasil, publicada pela Rede Comuá em 2024, identifica uma desconexão entre parte do investimento social privado e questões centrais para os movimentos sociais e para a democracia brasileira. Diante desse quadro, o Festival apresenta práticas das filantropias comunitárias e independentes, que apoiam grupos, coletivos e movimentos na defesa de direitos, e coloca em discussão tanto a distribuição dos recursos quanto o poder de decidir sobre seu destino.
“A democracia se faz todos os dias, nos territórios, pela atuação de organizações e movimentos que defendem direitos, muitas vezes mesmo quando os recursos não chegam. Fazer o recurso chegar é parte da estratégia para sustentar e fortalecer esse trabalho”, afirma Jonathas Azevedo, diretor executivo da Rede Comuá.
As atividades buscam trabalhar diferentes dimensões desse debate. A conversa É tudo pra ontem discute os impactos da retração da cooperação internacional sobre organizações e movimentos brasileiros. A oficina Por uma filantropia de multidão aborda a colaboração entre organizações e o compartilhamento de poder. Já o jogo Financiando os guardiões do planeta coloca as pessoas participantes diante de estratégias adotadas por fundos locais do Sul Global para apoiar quem atua na defesa socioambiental.
No laboratório Conversas Impossíveis, pessoas comunicadoras debatem os desafios de comunicar direitos em contextos de ódio e polarização. Em formato de entrevista ao vivo, No Sofá d’A Casa Sul reúne representantes de fundos de justiça socioambiental e ativistas de direitos humanos para uma conversa no palco principal.
No fim da tarde, a Rede Comuá realiza o lançamento exclusivo do e-book O Impossível é o que Move a Força Coletiva: Saberes que chamam a filantropia a financiar outros mundos. A publicação será apresentada e disponibilizada exclusivamente às pessoas presentes no evento, antes de seu lançamento para o público geral, previsto para novembro. A coletânea reúne textos e produções audiovisuais de pessoas pesquisadoras do Programa Saberes da Rede Comuá que, por meio de suas pesquisas, ampliam o repertório do campo filantrópico brasileiro.
O Festival integra a quarta edição do Mês da Filantropia que Transforma e a campanha Filantropia e Democracia, lançada em julho pela Rede Comuá e suas organizações-membro. O encerramento também marca os 14 anos da Comuá, com apresentação da Orquestra Frevo Capibaribe e discotecagem da DJ Lila Prado, cujo repertório reúne ritmos brasileiros, afro-diaspóricos e latino-americanos.
Durante o evento, o público terá acesso à Tenda de Cuidados e à Cuidadoria de Crianças, uma ação realizada em parceria com o Instituto Procomum, responsável pela concepção metodológica. A Tenda oferecerá práticas de bem-estar e acolhimento. A Cuidadoria receberá crianças e adolescentes para atividades de convivência, brincadeira e produção artística e literária. Os espaços integram a proposta de reconhecer o cuidado e as condições de permanência como parte da participação política.
As inscrições estão abertas, com três faixas de contribuição e cortesias disponíveis para quem precisar, mediante solicitação no momento da inscrição.
Festival Filantropia e Democracia
Data: 17 de setembro de 2026, quinta-feira
Horário: das 8h às 22h
Local: Instituto Brasileiro de Teatro (iBT)
Endereço: Avenida Brigadeiro Luís Antônio, 277 — Bela Vista, São Paulo (SP)
Inscrições e programação: festival.redecomua.org.br
Ingressos: três faixas de contribuição, com possibilidade de solicitação de cortesia
Acessibilidade: Libras em todas as atividades; rampa, elevador e banheiro adaptado. O espaço não conta com piso tátil.


