Por Luana Miranda
No Brasil, 47% dos homicídios cometidos contra mulheres foram executados com o uso de armas de fogo. Os dados são da 5ª Edição do relatório “Pela Vida das Mulheres: o papel da arma de fogo na violência de gênero”, do Instituto Sou da Paz, divulgado nesta segunda-feira (09). O levantamento revela que, em casos de feminicídio, a arma de fogo é o segundo meio mais utilizado para a agressão, representando 23% dos casos.
Para ter acesso a essas informações, o estudo cruzou dados do sistema de saúde e de segurança pública do país, e apresentou que apesar da redução no número geral de homicídios, o número de feminicídios segue aumentando. O relatório destaca também que segundo o sistema de saúde, em 2024, 3.700 mulheres sofreram homicídio doloso (assassinato cometido com intenção), desses casos, 40% (1.492) foram classificados como feminicídio.

Embora o foco do relatório seja a participação do uso de arma de fogo na violência contra a mulher de modo geral, um dado chama a atenção: a arma branca segue como a principal forma de assassinato quando a motivação é o gênero. Usados em 48% dos casos de feminicídio, os crimes cometidos com instrumentos perfurantes e cortantes revelam o caráter brutal e impetuoso das agressões.
Outro destaque do relatório é o perfil das vítimas. Nos casos de homicídio contra mulheres, as mulheres negras representam 67,5% dos registros totais, sendo que em relação às vítimas de armas de fogo, essa proporção chega a 72,3%. Esse mesmo perfil se mantém nos casos de feminicídio, onde mulheres negras são 63,3% das vítimas registradas. Os homicídios atingem principalmente mulheres entre 18 e 44 anos, representando 68% dos casos, em situações de feminicídio, esse dado aumenta para 70,5%.
A análise demonstra que as agressões que resultaram na morte de mulheres ocorrem, na maioria dos casos, nos domicílios das vítimas. Desconsiderando os registros em que não há informações sobre o local, 45% correspondem ao ambiente doméstico e 37% a vias públicas. Ao analisar especificamente os feminicídios, 64% ocorreram nas residências e 21% nas ruas. Os dados expressam que os assassinos são, frequentemente, pessoas próximas à vítima. Ao conectar a arma utilizada nos homicídios e o local em que foram executados, a utilização de armas de fogo prevalece em vias públicas, enquanto a utilização de armas brancas ocorre com mais frequência nas residências das vítimas.


