Por Jamile Novaes
A pesquisa visual Pedrinhas Miudinhas – Ano II, do artista e pesquisador de Santo Amaro (BA), David Sol, chega a Luanda, em Angola, para uma nova etapa de circulação internacional. A mostra será realizada no Instituto Guimarães Rosa, entre os dias 3 e 10 de março, com programação aberta ao público.
Reunindo pintura, fotografia e escrita, a pesquisa elabora imagens que dialogam com os terreiros de candomblé do Recôncavo Baiano, seus caboclos, cobras corais, festas e imaginários espirituais. Segundo o artista, a proposta não é produzir um registro etnográfico, mas elaborar uma linguagem visual de reconhecimento, voltada a evidenciar permanências e continuidades da experiência ancestral no cotidiano.
Para além da exposição das obras, o projeto propõe a construção de um campo compartilhado de memória entre margens historicamente conectadas pelo Atlântico, investigando como a experiência afro-indígena brasileira preserva traços de continuidade com matrizes africanas, não apenas na dimensão histórica, mas também no gesto, no rito, na paisagem cotidiana.
Antes de chegar a Angola, o projeto passou por Maputo, em Moçambique, onde integrou a programação do Museu Mafalala. Na ocasião, a mostra promoveu oficinas, rodas de conversa e vivências estéticas com artistas e comunidades locais, em parceria com o Instituto Guimarães Rosa.
Para David, viajar com essa pesquisa é tensionar a ideia de circulação internacional como simples deslocamento de obras. “O que me move é a possibilidade de criar relação, de perceber que aquilo que chamamos de Atlântico Negro não é apenas uma marca do passado colonial, mas um campo sensível onde ainda existem continuidades, reconhecimentos e espelhamentos.”
A etapa em Luanda amplia a proposta do projeto, ao promover o intercâmbio entre experiências africanas e afro-brasileiras. As obras utilizam a imagem das pequenas pedras como metáfora para abordar memórias do cotidiano e elementos simbólicos compartilhados entre os dois territórios. “Que as pessoas saiam da exposição com a sensação de que pequenas imagens podem abrir grandes travessias. Que entendam que identidade não é algo fixo, mas um território em movimento, construído no encontro”, ressalta o artista.
A exposição estará em cartaz no Instituto Guimarães Rosa entre os dias 3 e 10 de março. A abertura para visitação pública aconteceu nesta quarta-feira (4), às 9h. Já no dia 5, às 10h, está prevista a abertura institucional seguida de diálogo aberto com o público. A agenda inclui ainda, no dia 6, às 10h, apresentação da pesquisa e visita guiada.
O projeto “Pedrinhas Miudinhas: Edição Atlântico Negro” tem apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio do Fundo de Cultura, da Secretaria da Fazenda e da Secretaria de Cultura da Bahia.


