O Julho das Pretas celebra o mês da Mulher Negra, Afrolatina Americana e Afrocaribenha e este ano conta com mais de 300 atividades registradas em todo país

 

As Mulheres Negras, sujeitas políticas organizadas em todas as esferas da sociedade brasileira, tem um mês todo delas para marcar a visibilidade das lutas por direito e combate ao racismo e sexismo. É o Julho das Pretas! Uma ação de incidência política e agenda coletiva, criada em 2013 pela ONG baiana Odara – Instituto da Mulher Negra, e que ganhou o país através da Rede de Mulheres Negras do Nordeste, da Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), de centenas de coletivos e organizações de mulheres negras e de milhares de pretas que se organizam em ações coletivas ao longo dos últimos 9 anos, para registrar o mês de Julho na agenda pública do país.

A ação, do movimento de mulheres negras brasileiro, amplia para os 31 dias do mês as celebrações internacionais do 25 de Julho – Dia da Mulher Afro-Latino Americana e Afro-Caribenha, e dia nacional de Tereza de Benguela. Este ano, com o tema “Para o Brasil genocida Mulheres Negras apontam a solução”, a 9ª edição do Julho das Pretas tem como finalidade denunciar as diversas formas de genocídio da população negra e mostrar como as mulheres negras têm se organizado em todas as esferas da sociedade, apontando soluções para o país, a partir da luta antirracista, antipatriarcal e pelo Bem Viver.

Valdecir Nascimento, coordenadora executiva do Instituto Odara, explica que o tema do Julho deste ano entra para disputar as narrativas sobre “genocídio”, termo tão falado no atual cenário brasileiro de perda de direito e mortes de mais de meio milhão de brasileiros por conta da pandemia do coronavírus. “O genocídio da população negra não começou por conta da pandemia, ou deste governo. O genocídio antinegro, através da escravidão, fundou o Brasil, e o Julho das Pretas deste ano vem dizer que ‘para um país genocida, nós apresentamos a solução’. É o que fazemos cotidianamente e historicamente, para nos mantermos vivas, e mantermos nossas famílias e comunidades”, comenta a ativista, que é Historiadora e Mestre em Educação.

 

GOVERNADORAS E ATIVISTAS CONVERSAM

 

A abertura oficial do evento será realizada nesta quinta-feira, 1º de julho, em formato digital e contará com a presença de Iyalorixás da Bahia, Pernambuco e Maranhão. A saudação das Iyas será seguida por uma roda de conversa com o tema “Pandemia, acesso à vacina e genocídio antinegro”, que contará com a presença da governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, da vice governadora do Piauí, Regina Souza, da ativista Valdecir Nascimento, do Odara – Instituto da Mulher Negra e da Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), e Elizabeth Lima, do do Coletivo Ajagum Obínrìn, do Rio Grande do Norte. O evento será transmitido no canal do YouTube do Instituto Odara e nas páginas do Facebook da Rede de Mulheres Negras do Nordeste, e de organizações da Rede.

 

MAIS DE 300 ATIVIDADES NA AGENDA

 

Estão previstas mais de 300 ações na agenda em 2021, realizadas por grupos, coletivos, instituições religiosas, associações, unidades acadêmicas, dentre outras. As atividades, ainda por conta da pandemia, acontecerão em sua maioria em formato digital e serão divulgadas diariamente no instagram @julho_das_pretas. A agenda completa está disponível no site do Instituto Odara.

Entre o conjunto de atividades do Julho das Pretas, as mulheres abordarão temáticas diversas como: participação política, violências, segurança digital, espiritualidade, protagonismo das mulheres na academia, marketing, saúde mental, empreendedorismo, dentre outros.  Com o formato virtual, a previsão é que mais pessoas possam participar das ações, é o que aponta Ivana Braga, do Grupo de Mulheres Negras Mãe Andresa, organização de São Luiz (MA) que compõe a secretária executiva da Rede de Mulheres Negras do Nordeste. “A força desses coletivos tão diversos, em termos de perfis etários, profissionais, políticos, territoriais e culturais dá a dimensão do poder dos movimentos de mulheres negras”, conclui.