O discurso emocionado da única parlamentar LGBT da casa, Laina Crisóstomo (PSOL), em defesa do texto repercutiu e teve apoio da apresentadora Xuxa Meneghel

Por Andressa Franco

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A sessão ordinária da última quarta-feira (1) na Câmara Municipal de Salvador, foi marcada pelas discussões sobre o Plano Municipal de Cultural de Salvador, o PL 33/2020. O texto não foi aprovado pela bancada evangélica, por conter trechos a respeito da comunidade LGBTQIA+. “Nesse plano que está pautado hoje, querem colocar o LGBT como cultura. Respeitamos a orientação sexual de cada um, mas a gente não tem como compactuar com algo como cristãos”, disse a parlamentar Débora Santana (Avante).

A vereadora Laina Crisóstomo (PSOL), da mandata coletiva “Pretas Por Salvador”, discursou em reação à negativa e em defesa da matéria. E chegou a chorar ao relembrar o preconceito que já sofreu por ser lésbica (Imagem de Destaque).

“Eu sou a única parlamentar LGBT nesta Casa e, para mim, é sempre muito difícil tentar entender o dilema e o problema com a sigla LGBT”, criticou. “Vereadora Débora, existe sim cultura LGBT. Existe direito LGBT, existe saúde LGBT e várias áreas. Não somos uma sigla apenas. Nós existimos”, continuou. “Eu não sou doente, não sou pecadora”, completou entre lágrimas.

Faz cinco meses que o texto tramita na Casa, mas a votação foi adiada devido ao desacordo dos parlamentares conservadores. Postura criticada pela oposição, liderada pela vereadora Marta Rodrigues (PT).

Com a repercussão do discurso de Crisóstomo, uma reação chamou atenção nas redes sociais, o posicionamento da apresentadora Xuxa Meneghel. Nos comentários de um perfil que repercutiu o assunto, a artista acusou os vereadores conservadores da Câmara de “usar Deus para justificar seus preconceitos”, questionando os argumentos apresentados pela chamada bancada evangélica.

“Respeitamos a orientação sexual? Como assim? Onde tem respeito? É condição, é desejo, é orientação, é vontade, é tudo que um ser humano tem direito e nada nem ninguém na terra pode julgar ou ser julgado por isso, mania de querer ser mais que todo mundo, mania de se meter na vida dos outros, mania de usar Deus para justificar seus preconceitos. Deus não é preconceituoso, Deus não descrimina ninguém, Deus é amor. Parem de usar o nome de Deus para destilar seus venenos. Que raiva que dá esse povo que parece que não sabe o que Deus prega…Amor”, escreveu.