Por Patrícia Rosa

Imagem: Diário do Nordeste

Duas jovens, de 19 e 22 anos, foram assassinadas a tiros dentro de casa, na última quinta-feira (23), no município de Aracati (CE). As vítimas são Jeyciele Moura dos Santos e Clara Ferreira de Oliveira. A Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT), se manifestou em sua rede social pedindo que o caso tenha a classificação penal de lesbocídio. O assassinato de mulheres lésbicas tendo como cunho motivacional a lesbofobia, a repulsa contra a existência destas mulheres

“Oficiaremos a Secretaria de Segurança Pública do Ceará  e as autoridades locais para que o boletim de ocorrência do crime inclua a classificação penal , assim como motivação presumida de lesbofobia e que sejam devidamente investigados como crime de ódio”, declarou a ABGLT.

A  Polícia Civil do Estado do Ceará (PC-CE) encaminhou uma nota afirmando que as circunstâncias, a motivação e autoria do duplo homicídio  estão sendo investigadas. O órgão ainda afirmou que as jovens tinham passagem pela polícia, pelos crimes de tráfico de drogas, roubo, furto e corrupção de menores. 

O Dossiê sobre Lesbocídio no Brasil levanta a importância de que a  violência contra as lésbicas  sejam tratadas com a seriedade necessária: “O direito das vítimas por justiça e por memória que lhes é negado. As investigações sobre os casos não costumam ser consistentes, os dados disponíveis costumam estar incompletos e há um profundo descaso em todas as esferas para com estas mortes. Tal panorama dificulta e em muitos casos impossibilita o registro e o acompanhamento dos casos, assim como inviabiliza a homenagem às memórias das lésbicas mortas.”

De acordo com o Dossiê, entre os anos de  2014 e 2017 foram registrados 126 casos de lesbocídio, 82 deles ocorreram nas cidades dos  interiores dos estados.