Por Catiane Pereira e Patrícia Rosa*
O Carnaval, uma das maiores manifestações culturais do Brasil, também foi marcado por denúncias de violações de direitos em diferentes regiões do país. Durante os dias de folia, vieram à tona casos de racismo, violência sexual, homofobia e abordagens policiais violentas. Os episódios expõem um padrão de violência que atinge principalmente pessoas negras, mulheres e a população LGBTQIA+.
Mulher sofre estupro em banheiro químico e aponta três PMs como suspeitos
Na quinta-feira passada (12), primeiro dia oficial do Carnaval de Salvador (BA), foi registrado mais um caso de violência contra a mulher. Uma argentina denunciou ter sido vítima de estupro dentro de um banheiro químico, no Circuito Dodô (Barra-Ondina). Três policiais militares são apontados como os principais suspeitos do crime.
De acordo com informações da Secretaria de Segurança Pública, o caso foi registrado na Delegacia Territorial de Abrantes, em Camaçari (BA). A pasta informou que a mulher estava acompanhada do namorado, e o crime teria ocorrido no momento em que ele se afastou dela. O secretário da Segurança Pública, Marcelo Werner, afirmou a veículos de imprensa da Bahia que toda a rede está mobilizada para elucidar o caso.
Por meio de nota, a Polícia Civil afirmou que os policiais militares que estavam de serviço no local já foram identificados e ouvidos. Entretanto, informou que não há confirmação de envolvimento de agentes no crime. “A conclusão das investigações depende, ainda, da análise dos laudos periciais, cujos resultados são aguardados para o completo esclarecimento dos fatos.”
Justiça afasta quatro PMs após denúncias de agressões e homofobia

A Justiça da Bahia determinou o afastamento cautelar de quatro policiais militares após denúncias de agressões físicas e ofensas homofóbicas registradas durante o Carnaval de Salvador. O caso ocorreu na noite de sábado (14), nas imediações do Morro do Gato, no circuito Dodô (Barra-Ondina).
Segundo os relatos, as vítimas são um soldado da Polícia Militar que estava de folga, o marido dele, o professor João Cruz, e um amigo do casal, também policial militar fora de serviço. A confusão teria começado enquanto o casal dançava abraçado atrás de um trio elétrico, quando passou a sofrer ofensas homofóbicas de um folião. Após uma discussão, três policiais da guarnição 1007 do Batalhão de Patrulhamento Tático Móvel (BPATAMO) teriam chegado ao local e, de acordo com as vítimas, agido com violência.
João Cruz afirmou que, durante a condução a um posto da corporação, foi imobilizado com força excessiva, mesmo sem oferecer resistência, e xingado com termos homofóbicos por um aluno-soldado. Ele relatou ainda que teve o celular retido ao tentar gravar a abordagem e que foi intimidado a desbloquear o aparelho. “Falei que meu braço estava doendo e pedi para ele afrouxar. Ele falou: ‘Cala boca, seu veado, você ainda não viu o que é violência’”, disse o professor ao G1.
Em nota enviada à Afirmativa, a Polícia Militar informou que os agentes intervieram para conter uma briga generalizada e que um dos envolvidos, já ferido em decorrência das agressões entre os participantes, identificou-se como policial militar. Sobre a denúncia de uso de expressões homofóbicas por parte de um dos policiais, a corporação afirmou que os fatos serão apurados.
O amigo do casal sofreu lesões no rosto e precisou ser encaminhado ao Hospital Geral do Estado. Já o marido de João Cruz, que é soldado da PM e estava de folga, foi preso sob acusação de desrespeitar um superior hierárquico, crime previsto no Código Penal Militar. Não há informações sobre a identidade do superior.
Ao analisar o caso, a Justiça determinou o afastamento cautelar do policial que foi preso sob acusação de desrespeitar um superior e de outros três PMs suspeitos de envolvimento nas agressões contra o grupo. Os nomes dos agentes não foram divulgados. O soldado da PM, marido de João Cruz, passou por audiência de custódia e foi liberado na terça-feira (17). Não há informações, até o momento, sobre o andamento do processo criminal contra os outros três policiais.
A apuração está sendo conduzida pela Polícia Civil da Bahia, por meio da 7ª Delegacia Territorial (Rio Vermelho), e pela Corregedoria da Polícia Militar da Bahia. Além do afastamento dos quatro PMs inicialmente identificados, a Justiça determinou a instauração de um Inquérito Policial Militar, com prazo improrrogável de 60 dias para conclusão, e autorizou o afastamento de outros agentes que venham a ser identificados ao longo das investigações.
Homem de 60 anos é preso por injúria racial contra cordeiro
Suspeito de ameaça e injúria racial, um homem de 60 anos foi preso, em Salvador (BA), na região do Campo Grande, no Circuito Osmar. A vítima, de 42 anos, atuava como cordeiro. O caso foi registrado no posto do Serviço Especializado de Respeito a Grupos Vulnerabilizados e Vítimas de Intolerância e Racismo (SERVVIR), instalado no circuito.
De acordo com informações divulgadas em nota pela SSP-BA, o suspeito foi localizado na região do Passeio Público, no Campo Grande, e encaminhado à Coordenação de Polícia Interestadual (Polinter), onde permanece custodiado à disposição da Justiça para cumprimento do mandado de prisão preventiva.
A vítima recebeu acolhimento de equipes do Departamento de Proteção à Mulher, Cidadania e Pessoas Vulneráveis (DPMCV) e da Secretaria da Justiça e Direitos Humanos. A Polícia Civil não divulgou informações sobre a circunstância do crime.
Turista de Santa Catarina é preso por racismo contra funcionárias de camarote
Um turista de Santa Catarina, de 42 anos, foi preso em flagrante por crime de discriminação racial após proferir insultos racistas contra duas funcionárias de um camarote durante o Carnaval de Salvador. O caso ocorreu no último sábado (14), em um espaço localizado no circuito Dodô (Barra-Ondina).
Segundo relato das vítimas à polícia, o homem as ofendeu com expressões como “pretas”, “macacas” e “escravas”. A identidade do suspeito não foi divulgada até a última atualização do caso.
De acordo com a Polícia Civil da Bahia em nota para a Afirmativa, o turista foi identificado pela equipe do camarote e, com o apoio da Polícia Militar da Bahia, conduzido à delegacia. A ocorrência é investigada pela Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin).
Em nota divulgada na internet, o Camarote Baiano afirmou ter acionado imediatamente a polícia e repudiou o comportamento do cliente. O espaço disse ainda que está prestando suporte às funcionárias vítimas das ofensas.
Policial federal é presa por racismo em bloco de Carnaval e liberada após audiência de custódia
A agente da Polícia Federal Renata Nery Ribeiro, de 46 anos, foi presa em flagrante na última segunda-feira (16) após ser acusada de cometer racismo contra Rodrigo Martins, um homem negro de 47 anos, durante um bloco de Carnaval no Distrito Federal. Segundo o relato da vítima, a policial o chamou de “macaco” e “bicho” em meio a uma confusão no evento.
Segundo Rodrigo Martins, a confusão começou quando a policial tentou atravessar um local onde ele estava com a família e amigos. Ao ser informada de que não seria possível passar, a agente teria insistido e agredido um idoso do grupo.
O caso ocorreu no bloco Concentra, Mas Não Sai, realizado na Asa Norte. Após a prisão, Renata Nery Ribeiro passou por audiência de custódia na terça-feira (17) e teve a liberdade provisória concedida pela Justiça do DF, mediante o cumprimento de medidas cautelares.
Jornalista da TV Bahia é vítima de abordagem agressiva da Polícia Militar durante o Carnaval

O jornalista e apresentador Vanderson Nascimento trabalhava na transmissão do Arrastão da Quarta-feira de Cinzas, do Carnaval de Salvador, quando foi atingido por um cassetete por um policial militar, durante uma passagem ao vivo no jornal Bahia Meio Dia, da TV Bahia.
No momento, o jornalista estava ao vivo e respondeu ao agente: “Calma, está ao vivo. Está ao vivo ali. Infelizmente acontece com a gente também. Até amanhã”.
Ainda na quarta-feira, Vanderson usou suas redes sociais para tranquilizar o público e declarou que a situação foi lamentável, mas que não condiz com o Carnaval de Salvador. O jornalista afirmou ainda que recebeu um pedido de desculpas do comandante da Polícia Militar e que a TV Bahia está acompanhando o caso.
*Com informações de G1

