Entrevistada do programa Roda Viva desta segunda-feira (15), a artista relembrou o regime militar, do MNU, falou da carreira, e do atual momento político

Por Andressa Franco
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Reprodução Roda Viva

A atriz e cantora Zezé Motta foi a entrevistada do programa Roda Viva, da TV Cultura, na última segunda-feira (15). Diante da bancada comandada pela jornalista Vera Magalhães, Zezé revelou que durante a adolescência passou por um processo de embranquecimento desencadeado pelo racismo. Depois de sofrer na escola, procurava formas de se assemelhar com os traços de pessoas brancas, e chegou a pesquisar se existia uma cirurgia para reduzir o tamanho do bumbum.

“Eu queria operar o nariz, assim que eu pude eu comprei uma peruca chanel, que era o que estava na moda, e usava, e cheguei a pesquisar se existia uma cirurgia para diminuir o bumbum. Olha que loucura”. Conduziram a conversa junto com Magalhães as jornalistas Luanda Vieira e Silvia Ruiz, o comunicador Ad Junior, a apresentadora do Jornal da Tarde Joyce Ribeiro e a atriz Taís Araújo.

No centro da roda, também falou da carreira, dos planos futuros, e do atual cenário do país para a classe artista. “Eu vejo com tristeza, rezo todos os dias para que haja mudanças. É uma sensação de retrocesso essa questão do momento político, é uma sensação bem desconfortável. Mas não podemos desistir”, disse.

Zezé lembrou o período do regime militar e falou com indignação sobre os movimentos que defendem a volta da ditadura nos últimos anos.  A atriz relata que, em 1968, no meio da temporada de apresentação do espetáculo “Roda Viva”, de Chico Buarque, símbolo de resistência contra a ditadura, presenciou o Teatro Ruth Escobar em São Paulo ser invadido por um grupo de extrema direita que agrediu a todos.

“Quando eu falo que apanhei (na ditadura), eu apanhei literalmente. Nós apanhamos literalmente. O teatro foi invadido por um grupo de extrema direita, Comando de Caça aos Comunistas, é como se chamava o grupo”, recorda. A peça foi posteriormente proibida pela censura, que considerou o espetáculo “degradante” e “subversivo”.

Sua atuação e forte articulação política no Movimento Negro Unificado nos anos 70 também foi destaque, todos os movimentos de que participou, afirma, eram iniciativas que falavam de esperança, e de mudança para melhor. “Foi prazeroso, mas a luta continua. É confortável você pelo menos tentar fazer alguma coisa para mudar seja o que for, para melhor”, pontua a artista, que garante que a perseverança é o melhor conselho que tem para as próximas gerações.

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