A plataforma possibilitará que as cadastradas tenham um perfil com fotos e descrição do seu trabalho

Por Andressa Franco

Imagem: Divulgação

O Coletivo Acuenda lança neste sábado (4) o primeiro Mapa Drag do Brasil, com objetivo de movimentar a economia criativa e a cadeia produtiva. A plataforma vai atuar na organização dessas profissionais para que tenham mais visibilidade, valorização e oportunidades de emprego.

Encurtar o caminho entre as Drag Queens e Transformistas e pessoas e empresas interessadas nas ações profissionais e artísticas desse grupo de artistas é a principal finalidade do primeiro Mapa Drag do Brasil. A plataforma digital gratuita idealizada pelo Coletivo Acuenda, da Zona Leste de São Paulo, será lançada no dia 4 de fevereiro, às 18h, no Teatro Flávio Império. Na ocasião também acontece a 9ª edição do Concurso Drag D’água voltada para as artistas com mais de cinco anos de carreira.

O projeto foi contemplado pela 6ª edição do Programa de Fomento à Cultura da Periferia da Cidade de São Paulo da Secretaria Municipal de Cultura, e é o primeiro do Brasil a realizar um mapeamento das Drag Queens/Kings e artistas transformistas brasileiras. Intitulada M.A.P.A D – Zona Leste em Registro – Mapeamento e Articulação na Periferia de Artistas Drags, a plataforma entra no ar com cerca de 80 artistas cadastradas das regiões Leste e Sul da capital paulista, além da região do Alto Tietê.

Entre elas, Mackaylla Maria, de 32 anos, que há 10 atua como drag. Para a transformista, a plataforma além de ser inovadora e relevante, é um projeto ousado, por colocar as drags no mapa. “Isso é algo que eu nunca tinha visto.”

A Plataforma

De forma objetiva, a plataforma possibilitará que as Drags e as artistas transformistas possam ter um perfil com três fotos, uma descrição sobre o seu trabalho, área de atuação e disponibilidade e sua rede social mais usada. A partir de então, pessoas físicas e empresas poderão encontrar, solicitar e contratar o trabalho artístico de acordo com o perfil desejado. As categorias para cadastro no Mapa Drag são diversas, como comediante, apresentadora, bailarina, maquiadora, cabeleireira e performer, entre outras.

“A contribuição do Mapa Drag é justamente nos ajudar a fazer pontos e conexões. Ter a possibilidade de numa plataforma acessar outras drags de forma mais direcionada”, destaca Mackaylla, que pesquisa arte transformista na UNESP e acredita no potencial da plataforma para possibilitar o trabalho de drag como ganha pão para outros artistas.

Mackaylla Maria atua há 10 anos como Drag, nas funções de apresentadora de eventos e festivais, artista de teatro, animadora de eventos e educadora – Imagem: Acervo Pessoal
Ampliar o mapeamento

De acordo com Bruno Fuziwara, ator e um dos fundadores do Acuenda, o coletivo que existe há oito anos, já trabalha com diversas linguagens na sua pesquisa de criação e vive da arte Drag desde muito tempo. “O objetivo agora é ampliar o mapeamento para as outras áreas da capital paulista com planos de que, no futuro, o mapeamento também seja feito em nível nacional”, adianta ele.

Em formato totalmente digital, o Mapa vai localizar as artistas de múltiplas maneiras, como por regiões, bairros e categoria profissional. Os dados recolhidos para registro, até então inexistentes na cidade de São Paulo, poderão criar possibilidades e estatísticas para o setor cultural trazendo instrumentalização e capacitação para essa classe artística.

Para os primeiros 80 cadastros, os seis integrantes do Coletivo Acuenda entraram em contato com mais de 600 artistas de diversas regiões do Brasil e também do exterior. A tarefa de mapear as primeiras profissionais não foi fácil, explica Bruno.

“Outro desafio foi juntar todas para a sessão de fotos, já que fizemos um trabalho de registro visual padronizado. Assim, cada uma destas artistas pode ter um novo olhar sobre sua trajetória crescendo cada vez mais”, acrescenta.

Para Mackaylla, quando consideramos a multiplicidade do trabalho Drag, que passa por áreas como visualidade, comédia, canto, interpretação, entre outras, uma plataforma como o Mapa permite que conheçam os trabalhos umas das outras. Potencializando assim, as oportunidades de emprego.

 “Quando a gente fala de arte drag estamos falando de um fazer artístico cênico que tem como base um forte compromisso com a diversidade de gênero e de sexualidades e com a não violência sobre esses corpos. É a força da arte atrelada à uma luta histórica.”, ressalta.

Concurso Drag D’água

A nona edição do Concurso Drag D’agua, dedicada para Drag Queens, Drag Kings e Atores Transformistas com carreira acima de cinco anos, é uma atividade voltada para o desenvolvimento da descentralização da arte drag, fazendo com que os artistas tenham a oportunidade de mostrar o seu trabalho.

O júri formado por Drag Queens de prestígio na cena brasileira, como Márcia Pantera, Tchaka, Divina Raio-Laser e Krisa Gonna, analisarão cinco quesitos: carisma, presença de palco, maquiagem, figurino e dublagem. O Concurso terá premiação em dinheiro para as 3 primeiras colocadas: O primeiro lugar ganha mil reais, o 2º lugar leva para casa setecentos reais e o 3º lugar fica com quinhentos reais.