A equipe premiada criou um dispositivo para retirar microplásticos dos oceanos

Por Patrícia Rosa

Imagem: Mariana Silva / Correio

A equipe Cafeína, composta por cinco jovens de Salvador (BA), está arrumando as malas para conhecer a Agência Espacial estadunidense (NASA) em março deste ano. A visita é  resultado do prêmio da Hackathon Nasa International Space Apps Challenge de 2019. Primeiro colocado na categoria “Melhor uso de hardware”, o grupo é formado pelos administradores Antônio Rocha, Genilson Brito e Pedro Dantas, pelo engenheiro químico, Ramon de Almeida, e pelo  programador web e mobile, Thiago Barbosa. 

Em 2019, os jovens eram estudantes da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da Universidade Católica de Salvador (Ucsal). Eles criaram o dispositivo Ocean Ride, um mecanismo criado para retirar os microplásticos dos oceanos por meio de corrente eletrostática. Com a pandemia, a viagem de visitação foi adiada para março de 2023. O programador Thiago Barbosa, fala da expectativa da viagem e a busca de patrocínio para a efetivação do sonho. “Tirar o visto e fazer conexões com empresas interessadas em nos apoiar nessa viagem, para que em março a gente consiga”, afirmou o programador.

Thiago Barbosa é programador de web e mobile – Imagem: Reprodução Redes Sociais
A criação do dispositivo

O desafio aconteceu em Salvador, em 20 de outubro de 2019. Thiago Barbosa contou que a ideia da criação do dispositivo surgiu a partir de um subtema escolhido pelo grupo, que era os microplásticos nos oceanos. Os microplásticos (MPs), são polímeros artificiais que podem ter  o tamanho de 5 milímetros e são poluentes e perigosos para o ambiente marinho. O mecanismo foi inspirado no gerador de Van Der Graaff, criado no século XX, nos Estados Unidos.

“Pensamos em usar embarcações como meio de conseguir varrer todo o oceano tomando como base as rotas dos navios. A ideia era ter uma espécie de pá para remover os resíduos, porém já existiam soluções parecidas e tínhamos que ter cuidado com as vidas marinhas, então não poderia ser uma rede ou algo do tipo. Foi aí que começamos a pensar em como atrair os microplásticos por meio da energia estática. Lembramos daquele experimento de esfregar a caneta no cabelo e atrair papel. Fizemos o mesmo com plástico e obtivemos sucesso”, explicou o Thiago.

Para a equipe, a premiação teve como resultado a possibilidade de conhecer pessoas e empresas, mas também de servir como referência para outros jovens negros e negras participarem de projetos científicos. A equipe Cafeína participou do projeto Hack at Schools, com o intuito de apoiar estudantes da rede pública de Salvador a participarem do projeto da NASA. 

Os profissionais analisam maneiras para que o Ocean Ride se torne funcional, economicamente viável e produzido em grande escala. Thiago finaliza falando que o dispositivo contribui para redução do poluente, mas é preciso gerar atitudes globais que reduzam a produção de plásticos.