O livro fala sobre a valorização da ancestralidade, família, perpetuação dos saberes e ensinamentos oriundos do Terreiro de Mãe Amara, além de reverenciar a dança nagô

Por Andressa Franco

Imagem: Acervo Pessoal

Neste domingo (4), a Yalaxé do Ilê Obá Aganjú Okoloyá – Terreiro de Mãe Amara, Olefun Helaynne Sampaio, lançou seu primeiro livro. O lançamento aconteceu no Centro Educacional e Cultural Afoxé Oyá Alaxé Descendente do Terreiro Mãe Amara durante o Encontro em Celebração aos 18 anos do Afoxé Oyá Alaxé – Mulheres Guardiãs Ancestrais da Cultura Popular, em Recife (PE).

“Dança Nagô: herança ancestral e resistência matriarcal do Balé Nagô Ajô, corpo que dança Afoxé Oyá Alaxé” tem como objetivo ser um adinkra sankofa, resgatando o passado para ressignificar o presente e construir o futuro. O livro é a concretização de um sonho do autora de empoderar, fortalecer e valorizar as obinrins (mulher em iorubá) negras.

Helaynne Sampaio fala na primeira pessoa, em um livro sobre a valorização da ancestralidade, da família, da perpetuação dos saberes e ensinamentos oriundos do chão do Terreiro de Mãe Amara, berço do Afoxé Oyá Alaxé e do Balé Nagô Ajô.

Artivista feminista antirracista, docente, pesquisadora, percussionista e multi-artista e mãe solo, Helayne foi iniciada no candomblé Nagô de Pernambuco por Mãe Amara, Pai Paulo e Mãe Zite. A escritora é licenciada em Dança e mestranda em Educação Contemporânea pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), BailariNagô, diretora de dança, professora e coreógrafa do Afoxé Oyá Alaxé.

“O nosso Ilê Obá Aganjú Okoloyá fica situado no bairro de Dois Unidos, e como toda comunidade periférica negra, a nossa sempre foi movida pela arte, que para nós é um instrumento sociopolítico, pedagógico, que nos emancipa, transforma e empodera”, explica Helaynne, que foi a primeira Princesa do Maracatu Sol Brilhante, idealizadora da Ilé Èkó Ajô Nagô (Escola de Dança Nagô), Balé Nagô Ajô e do Espaço de Dança Helaynne Sampaio.

O instrumento que utilizou para desenvolver seu livro, é o que chama de escritancestral, método que adotou como forma de combate ao racismo epistêmico. “A minha escritancestral é fruto de uma trajetória assentada na cosmovisão e epistemologias próprias do Terreiro de Mãe Amara”.

Na obra ela percorre as histórias do povo Nagô de Pernambuco, do seu ilê, da sua avó, a Yalorixá Amara Mendes, da sua mãe, Yalorixá Maria Helena, do Afoxé Oyá Alaxé, do Balé Nagô Ajô e apresenta uma sistematização da Dança Nagô e da Pedagogia Nagô Ajô.

“Falo da importância de valorizar a perpetuação do legado. Conto como minha avó resistiu ao racismo religioso. Trago minha mãe, que nos ensina sobre valorizar nossa ancestralidade. Minha irmã, ativista negra na defesa dos direitos humanos. É uma homenagem à força feminina!”, completa. A dança nagô também é reverenciada na obra como instrumento de pedagogia e resistência política.

O processo do livro se deu há mais de 10 anos, Helayne conta que sempre gostou de descrever o que vive junto com sua família aboulá e de axé, assim como suas experiências em outros espaços. Com o lançamento, espera contribuir para as teias de fortalecimento, de valorização, de empoderamento e de visibilidade das produções acerca das danças negras e afrocentradas, “que dão protagonismo às suas raízes ancestrais afro-diásporicas.”