Segundo o jovem, os funcionários não repunham itens básicos no seu quarto, e ao reclamar, foi convidado a se retirar, tendo seus pertences colocados em um saco de lixo

Por Andressa Franco

Na última quarta-feira (27)), o consultor comercial Neferson Martins, 28 anos, fez um desabafo em suas redes sociais, onde relata ter sido vítima de racismo pelos funcionários do Travel Inn Hotels. Martins estava hospedado no hotel, em Caxias do Sul, cidade do Rio Grande do Sul, a trabalho.

“A equipe do hotel começou a me perseguir, me olhavam feio o tempo todo. E o hotel é chique, frequentado por grandes executivos, e, por ser uma pessoa preta, parece que eu incomodava o tempo todo”, conta entre lágrimas no vídeo publicado. O jovem é natural da Bahia, e atualmente mora em São Paulo. Seu plano era ficar 30 dias no hotel, mas não foi o que aconteceu.

Segundo Neferson, os funcionários do hotel não repunham itens básicos para ele em seu quarto, como sabonete, toalhas, cobertores, papel higiênico, entre outros. A denúncia está sendo investigada pela Polícia Civil de Caxias do Sul, e nesta quinta (28), envolvidos no caso serão chamados para prestar depoimento.

O consultor tinha vaga reservada até o dia 31, no valor de R$ 8 mil, com todos os custos pagos pela empresa. Mas afirma que o quarto em que estava não era arrumado, e que passou a reclamar com a gerência, sendo alvo de racismo.

“A governanta do hotel, uma mulher alta, branca, me olhava feio o tempo todo porque eu ia tomar café e descia com algumas coisas para comer no quarto e começaram a proibir, disseram que eu não podia levar nada pro quarto”. O hóspede então passou a guardar itens como cobertores para que os funcionários não levassem do quarto sem voltar a repor, principalmente devido ao frio da cidade, mas afirma que não roubou nada. “Eu senti as minhas coisas começarem a ser remexidas, eles entravam no meu quarto sem a minha autorização”.

Após reclamar dos problemas de atendimento, Neff, como também é conhecido, foi à delegacia, na última terça-feira (26), para abrir um boletim de ocorrência. Quando retornou ao hotel, sua mala já estava feita, tendo sido convidado a se retirar do hotel. O rapaz gravou o momento em que abre a mala na recepção do hotel, encontrando seus objetos pessoais em um saco de lixo, e o cartão de acesso ao quarto não abria a porta

“O chefe de segurança viu as coisas guardadas, e simplesmente me escorraçaram do hotel, não alegaram nada. Simplesmente entraram no meu quarto, mexeram nas minhas coisas, pegaram as minhas roupas, colocaram em um saco de lixo dentro da mala e descaram pra recepção do hotel, sem minha autorização, sem a minha presença”, relata.

Em nota, a rede de hotéis afirma que não houve discriminação e que o motivo que levou Nefferson a ser convidado a se retirar do hotel foi o descumprimento da regra que impede de fumar no estabelecimento.

Nas redes sociais, a empresa nega o racismo e diz que “não constatou a prática de discriminação em suas dependências” e que irá colaborar para a elucidação do caso. Além de repudiar a prática de qualquer tipo de discriminação, e afirmar que trabalha com a inclusão social e o respeito à diversidade.

“Todas as unidades do hotel são para não fumantes de acordo com a Lei 2.546. O Sr. Nefferson foi informado várias vezes sobre esse fato, continuou fumando no quarto deixando, inclusive marcas de queimadura do cigarro na esquadria da janela e lixeira do quarto”, diz um trecho da nota.

O advogado criminal Felipe Alves se manifestou sobre o caso nas redes sociais e afirmou que vai representar o jovem contra qualquer ato de discriminação e racismo que ele tenha sofrido e tomando todas as medidas judiciais e legais possam ser tomadas.