Editora-chefe da Afirmativa, Alane Reis participa falando sobre a revista, mídia negra, história e desafios

Por Andressa Franco

Imagem: Divulgação

Estreia neste sábado (21), o curta documental “Àkesán – Pretos comunicadores”, que aborda a nova cena de comunicadores de Salvador, mostrando como jovens negras e negros estão utilizando novos formatos possibilitados pela internet para se comunicar com o público. O material estará disponível no canal do Pele Preta no Youtube.

Dirigido por Taís Amordivino (Motriz e Miraildes Mota – a lendária Formiga), com roteiro de Rafael Santana e Francis Cardoso, o curta-metragem registra o dia a dia de um grupo de comunicadores. O filme mergulha no processo de produção dos conteúdos, além de mostrar a relação deles com o público e a comunidade.

Entre os formatos utilizados, destacam-se o podcast, os canais de vídeo, as redes sociais e a tradicional revista impressa. São jovens que utilizam as diversas tecnologias da informação, aliadas ao avanço da internet, para construir novas formas de se comunicar.

Esses comunicadores e comunicadoras tem por objetivo democratizar o acesso à informação, saindo da condição de “objetos” de estudo para se tornar sujeitos de suas próprias narrativas e da construção de novas representações.

De acordo com a diretora Tais Amordivino, um filme como Àkesán, é extremamente necessário por se tratar da comunicação da juventude negra, um tema caro para a população. “Tivemos tempo para pesquisar comunicadores diversos, no sentido de entrar na periferia e encontrar jovens que se comunicam de formas específicas. No processo de trabalho, a escuta e a comunicação caminharam lado a lado para chegarmos ao objetivo de registrar os processos de cada comunicador presente na obra”, destaca.

Os comunicadores (as) escolhidos para o filme são: Alane Reis (Revista Afirmativa); Ashley Malia (influenciadora digital); Leanderson Gomes e Lucas Soares (Complexo do Nordeste de Amaralina); Francis Cardoso e Rafael Santana (Pele Preta).

Responsável pelo roteiro do documentário e pela apresentação, junto a Francis Cardoso do podcast Pele Preta, Santana explica que Àkesán se notabiliza por ser um produto multiplataforma. O documentário será desmembrado em mais uma temporada do podcast Pele Preta, surgido em 2019, com depoimentos inéditos dos comunicadores em três episódios. Os episódios do podcast ficarão disponíveis nas plataformas de streaming do projeto.

“A gente está deixando de ser só um podcast, e com essa entrada no audiovisual estamos com a pretensão de nos tornar mais um projeto multimídia, audiovisual, do qual o podcast vai ser apenas uma das uma das funções”, explica Santana. Ele também foi o responsável por idealizar e apresentar o quadro AfroJob, contando a história de empreendedores negros na Rede Bahia, onde trabalha há oito anos.

A produção se diferencia pela a escolha de uma equipe jovem e majoritariamente negra, reunindo profissionais como: Ariel Ferreira (direção de fotografia), Daiane Rosário (direção de produção), Fabíola Silva Santos (assistente de fotografia), Gabriel Pires (produção executiva), Ivna Pires (comunicação) e Rubian Melo (assistente de produção).

“A nossa ideia é amplificar vozes negras, vozes de pessoas que nunca foram ouvidas, que estão chegando agora, metendo o pé na porta, mas que ao longo da nossa história foram desprezadas e silenciadas e nunca estiveram no centro do debate”, pontua Santana.

Gravado durante a pandemia, a produção do curta seguiu todas as medidas de segurança orientadas pela Organização Mundial da Saúde para diminuição do risco de contágio do coronavírus e seguindo os Decretos Municipais e Estaduais vigentes.

O projeto tem apoio financeiro do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura e da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Programa Aldir Blanc Bahia) via Lei Aldir Blanc, direcionada pela Secretaria Especial da Cultural do Ministério do Turismo, Governo Federal.

As redes sociais e os novos comunicadores

Segundo a TIC Domicílios 2019, três em cada quatro brasileiros acessam a internet, o que equivale a 134 milhões de pessoas. E os brasileiros passam em média 3 horas e 31 minutos por dia conectados às redes sociais, segundo relatório de outubro de 2020 produzido pela parceria We Are Social e Hootsuite.

Este acesso crescente a internet, mesmo que ainda desigual, tem possibilitado também um maior engajamento do público mais jovem no mundo virtual. E neste cenário, as plataformas sociais são verdadeiras protagonistas.

Dentro desse contexto, negras e negros, que sempre foram excluídos dos espaços das mídias tradicionais, ou retratados como bandidos ou de forma caricata, estão conseguindo se conectar e criar uma rede. Nela discutem suas vivências, suas questões, suas dores e seus amores. Surgem então figuras novas na dinâmica social como os blogueiros, os influenciadores digitais, tiktokers e podcasters que são as diversas facetas dos produtores de conteúdo adquirem na internet.