Em intercâmbio no México, estudante brasileiro luta contra câncer e mobiliza vaquinha para custear tratamento

 O baiano Romário do Nascimento  precisou defender sua tese de doutorado de forma virtual em razão do seu internamento e grave quadro de saúde 

 O baiano Romário do Nascimento  precisou defender sua tese de doutorado de forma virtual em razão do seu internamento e grave quadro de saúde 

Por Karla Souza e Patricia Rosa

Em 2019, Romário do Nascimento conquistou uma vaga de intercâmbio para mestrado em Ciências na Universidade Autônoma Chapingo, impulsionado pelo financiamento do Conselho Nacional de Humanidades, Ciências e Tecnologias do México (CONAHCTY). No entanto, a vida dele tomou um rumo inesperado quando, há oito meses, Romário notou sintomas preocupantes.

O jovem, de 27 anos, descobriu um um câncer na coluna (Linfoma de Hodgkin), que afetou a medula, e causou a paralisia repentina das pernas. Romário precisou mobilizar uma vaquinha solidária para arrecadar fundos para custear os tratamentos e já realizou uma cirurgia, onde foi retirado uma parte do tumor (87%). Vale ressaltar que no México o Sistema de Saúde não é público como no Brasil. 

“Preciso do dinheiro para seguir fazendo a quimioterapia e o cuidado após o tratamento, por mais que meus amigos me ajudem necessito de cuidados de enfermagem, aqui no México é caro.” 

Romário explica que a família é pobre e precisou criar a vaquinha. O tratamento tem sido custeado por esse apoio apoio que vem recebendo. “Não tem muitas condições e todo recurso que eu tinha guardado já gastei, está difícil continuar o tratamento sem o apoio via Pix ou pela vaquinha”, explica.

Inicialmente diagnosticado com estresse agudo, a situação evoluiu dramaticamente nos últimos dois meses e meio. Dores abdominais intensas, problemas neurológicos e a perda de mobilidade nas duas pernas levaram a uma série de consultas médicas.

A urgência de uma cirurgia levou Romário ao Hospital Geral do México “Dr. Eduardo Liceaga”, onde, em setembro, ele passou por uma cirurgia que mudou sua vida. No entanto, o tumor revelou ser um Linfoma Hodgkin difuso de células B grandes, exigindo tratamentos adicionais, incluindo quimioterapia, radioterapia e eventualmente um transplante de medula.

“Tenho um tumor na medula e necessito urgentemente de uma cirurgia, se não posso perder todo movimento do corpo, porque está alojado em uma vértebra. Tenho uma série de tratamentos para fazer, a quimioterapia é o primeiro passo, depois passo para a radioterapia e medicamentos  e depois transplante de medula ”, explica.

Conheça a trajetória de Romário Nascimento

Jovem negro, vindo do Instituto Federal da Bahia (IFBA), com passagem pela Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB) e Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Romário sempre se destacou academicamente. “Em 2020 atravessamos pandemia, em 2021 já no Brasil me escrevi com incentivo de amigos mexicanos ao Mestrado, passei, no Brasil tive uma rede de apoio de mulheres negras que incentivou e não me fez desistir.”

A reviravolta na saúde de Romário impactou seus planos acadêmicos. Com uma defesa de doutorado marcada, o estudante teve que enfrentar a mudança para um formato online, comprometendo suas expectativas de seguir com o Doutorado em Socioeconomia, Estatísticas e Informática no Colégio de Pós-Graduados.

Além dos desafios acadêmicos, Romário agora enfrenta uma batalha financeira. Hemiplégico da cintura para baixo, ele precisa de cuidados de enfermagem intensivos. Sua família, de recursos limitados, iniciou uma vaquinha online para custear esses cuidados e garantir que o tratamento continue.

O jovem tem o sonho de seguir o doutorado, fazer concurso público, “viver e amar”. Para contribuir na vaquinha solidária para custear o tratamento médico de Romário, clique no link.

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