Por Jamile Novaes*
Antes do início da partida entre Alemanha e Curaçao, exibida na tarde de ontem (14), válida pela fase de grupos da Copa do Mundo e realizada em Dallas, o árbitro de vídeo australiano Shaun Evans apareceu na transmissão ao vivo fazendo um gesto de “ok” invertido, com a mão posicionada abaixo da cintura.
De acordo com a Liga Antidifamação (ADL), o símbolo é utilizado por grupos associados à supremacia branca e significa “white power” ou “poder branco”, em português.
Diante do ocorrido, a Fare, entidade internacional que monitora casos de racismo no futebol, pediu o afastamento imediato do árbitro do torneio mundial. “Claramente, esse árbitro não deveria mais desempenhar nenhuma função nesta Copa do Mundo”, declarou.
A reprodução discreta de gestos ligados a grupos extremistas é uma tática de comunicação conhecida como “apito de cachorro”. Ela permite que membros ou simpatizantes de grupos neonazistas ou supremacistas brancos, por exemplo, se comuniquem entre si sem que precisem expor, de forma explícita, seus posicionamentos.
Em 2020, o então presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (PL), foi criticado por aparecer tomando um copo de leite durante uma live no Facebook. O leite é um símbolo comumente utilizado por nacionalistas brancos para afirmar uma pretensa “superioridade genética”, associada à ideia de “pureza racial”. No último dia 2 de junho, os pré-candidatos à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) repetiram o gesto durante uma agenda em Belo Horizonte (MG).
Um artigo do Instituto Aurora, intitulado “Dog whistle ou apito de cachorro: como a extrema-direita se comunica”, aponta alguns desses símbolos, explica seus significados e alerta para os perigos da difusão dos discursos de ódio.
“Assim como todo discurso carrega consigo a ideologia do sujeito emissor da mensagem, a política do apito de cachorro visa difundir politicamente uma narrativa a partir e para a manutenção de uma única perspectiva, neste caso, da ideologia dominante. Desse modo, a utilização de símbolos pode ensejar uma dominação no campo do simbólico tão perigosa quanto sua versão no campo do real”, explica a organização.
*Com informações de O Globo


