Após meses da finalização da construção do prédio destinado ao R.U. do Campus, ainda não há previsão de começo das atividades

Por Andressa Franco

Imagem: Divulgação

Na tarde da última segunda-feira (31), estudantes da Universidade Estadual da Bahia (UNEB) se reuniram em frente ao Campus I da instituição, localizado no Cabula, em Salvador (BA) para realizar manifestações pela abertura do Restaurante Universitário. Após meses da finalização da construção do prédio destinado ao R.U. do Campus, sem previsão de começo das atividades, os estudantes tomaram a decisão de realizar uma manifestação durante uma Plenária Estudantil no último dia 25 de outubro.

A plenária contou com a participação de entidades estudantis, Centros e Diretório Acadêmicos. Na reunião, foram debatidas as questões de assistência estudantil e a evasão dos estudantes, dada a dificuldade de permanecer na universidade sem essas políticas. O objetivo do ato, era pressionar a reitoria da UNEB e o Governo do Estado para início imediato das atividades no restaurante universitário.

Estudante de ciências sociais na universidade, Matheus Silveira, de 23 anos, esteve na plenária e nos atos, integra o grupo União da Juventude Revolução (UJR) e o movimento estudantil Correnteza. O estudante explica que apesar da ausência de um comunicado oficial, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UNEB, em reunião com Centros e Diretórios Acadêmicos da Universidade, informou que o RU estaria ativo a partir de outubro.

“O processo estava preso na Secretaria da Fazenda, e foi para Secretaria de Administração da Bahia. Na semana passada, chegou na reitoria da UNEB que já pode iniciar o processo de licitação, mas até semana passada a universidade não foi informada que havia esses problemas burocráticos de uma secretaria para outra.”

A liberação para licitação de escolha da empresa que deve gerir o R.U. da universidade aconteceu no dia 26 de outubro. Já haviam sido comprados equipamentos para o funcionamento, como fogão, mesas, panelas, liquidificador. Em publicação nas redes sociais, o DCE enfatizou que a disputa por um edital de licitação que garanta as reivindicações estudantis é fundamental, e que seguiria acompanhando o processo burocrático, exigindo do governo e reitoria celeridade, “porque sabemos que quem tem fome tem pressa!”

Os centros acadêmicos em contato com os movimentos estudantis integrados por Matheus não têm a dimensão de quantos estudantes são afetados pela falta do funcionamento do R.U no Campus 1, de Salvador (BA). Mas o jovem ressalta que os multicampis da UNEB, espalhados em diversas cidades do estado abarcam mais de 30 mil estudantes, com diferentes condições sociais, e que dependem de políticas de permanência estudantil. “Principalmente no cenário atual em que mais de 120 milhões de pessoas no Brasil estão em insegurança alimentar.”, completa.

A vice-reitora da instituição esteve na manifestação para conversar e, segundo Matheus, se mostrou aberta ao diálogo para construção de uma política de assistência com os estudantes.

A expectativa dos movimentos estudantis agora é realizar mais manifestações, com maior adesão. Uma publicação do DCE nas redes sociais chama atenção para a luta pelo restaurante universitário atravessar gerações e ter como marco a última greve de 2019, que culminou na vitória estudantil com liberação de verbas para construção do R.U. “A previsão era de funcionamento esse semestre, então precisamos de respostas. Quando isso vai acontecer? Teremos restaurante ainda esse ano? O que faremos até lá? Essas perguntas precisam de respostas.”, indaga.

Um novo ato pela abertura do Restaurante e com preço acessível está previsto para a próxima sexta-feira (4) às 12h30 em frente à biblioteca, convocado pelo DCE e os Centros e Diretórios Acadêmicos da UNEB.

Entramos em contato com a assessoria de comunicação da UNEB para comentar o assunto, mas até o fechamento da matéria não obtivemos retorno.

Intoxicação alimentar na UFBA

Desde o dia 30 de setembro, o Restaurante Universitário do campus de Ondina da Universidade Federal da Bahia (UFBA) está com as atividades suspensas por uma suspeita de intoxicação alimentar. Na última semana, a universidade divulgou uma nota confirmando que o laudo do exame feito pela Vigilância Sanitária após estudantes e funcionários passarem mal com a comida confirmou presença de microrganismos patogênicos “que podem ter sido a causa dos sintomas relatados”.

A nota comunicou ainda que também seriam suspensos os serviços nos pontos de distribuição de alimento em São Lázaro e Vitória.

Matheus Portela, de 23 anos, é Bacharel em Humanidades e cursa Psicologia na UFBA. Militante da UJR, do Movimento Correnteza, e membro do Diretório Acadêmico de Psicologia da UFBA. Ele relata que apesar de 2022.2 ter sido o primeiro semestre desde a pandemia de covid-19 com retorno integral tanto dos Restaurantes Universitários, já estavam sendo organizadas manifestações de insatisfação dos estudantes com o serviço.

Entre os problemas citados em relação à empresa responsável pela alimentação em São Lázaro e Vitória, Portela destaca a demora para o restaurante abrir, a quantidade insuficiente de refeições, e às vezes em que a alimentação chegava incompleta, sem a guarnição ou a proteína.

“A gente já estava reivindicando o funcionamento de maneira correta e o aumento do número de refeições. O contrato de São Lázaro deveria atender 600 refeições no almoço e estava entregando 250. Deveria entregar 300 na janta e estregava só 100.”, denuncia.

A UFBA afirma que o laudo da vigilância e outros registros administrativos sobre o caso foram entregues à empresa Acesso Restaurantes LTDA, responsável pelo RU, e fazem parte do processo que apura possível irregularidade no contrato entre as partes. A universidade não informou se há um prazo para esse procedimento, que pode terminar com a ruptura do contrato.

A respeito do ponto de distribuição de São Lázaro, a UFBA diz que a empresa Samir Cavalcante Aur, vencedora da licitação feita em 2020, não assumiu o contrato. Um processo foi aberto para averiguar possível irregularidade. Já o ponto de distribuição de Vitória é administrado pela empresa RMP Romero.

A instituição disponibilizou uma lista de alunos que dependem das refeições nos locais e estão aptos a solicitar auxílio financeiro no valor de R$ 400 reais. Para Matheus Portela, isso é insuficiente para estudantes em situação de vulnerabilidade se alimentarem, considerando que, de acordo com dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o valor da cesta básica subiu mais de 12% em Salvador desde o início do ano, passando a custar em média R$ 580 reais.

“Estamos reivindicando o aumento do auxílio, uma resolução para reabertura do RU o mais rápido possível, a contratação de uma nova empresa seguindo a licitação ou contrato emergencial que seja realizado para não ficar tanto tempo com o restaurante fechado.”, explica.

As dúvidas e solicitações sobre inclusão e exclusão na lista devem ser enviadas para o email nru@ufba.br. A Coordenação dos Programas de Assistência aos Estudantes vai analisar os pedidos.