Por Patrícia Rosa
Duas ex-funcionárias de uma empresa com sede no Centro Empresarial Iguatemi, em Salvador (BA), foram vítimas de agressões físicas nesta terça-feira (6). O suspeito é o empresário Adalberto Argolo, flagrado em vídeo agredindo as mulheres. As vítimas, Mônica Freitas e Naiane Ferreira, também relatam ter sofrido outras violências, como racismo e ameaças.
As imagens mostram o homem discutindo com as ex-funcionárias e desferindo um soco em uma delas. Em entrevista ao Bahia Meio Dia, da TV Bahia, afiliada da Rede Globo, as mulheres relataram que caminhavam pelo local com um cliente quando o empresário passou, esbarrou com o ombro e fez ameaças a uma delas.
Mônica e Naiane trabalharam na empresa do suspeito por cerca de um ano. Ainda em entrevista ao Bahia Meio Dia, elas contaram que, durante o período em que estiveram na empresa, sofriam ameaças constantes.
“Toda reunião tinha uma ameaça. Ele dizia que, se a gente saísse da loja dele para trabalhar para outra pessoa, iria matar a gente, que não aceitava ser traído”, declarou Mônica.
Após deixarem a empresa, as mulheres passaram a trabalhar em outro estabelecimento, localizado no mesmo edifício. Segundo elas, a mudança não foi suficiente para cessar as intimidações, que continuaram a ocorrer nos corredores do prédio.
As vítimas também denunciaram atitudes racistas do empresário, que teria publicado duas fotos de confraternizações de fim de ano com comentários ofensivos. Em uma das postagens, ele afirmou que o “nível da confraternização tinha melhorado muito”, acrescentando: “A foto deu uma boa clareada, é como se eu estivesse na Argentina”.
Em outra imagem, na qual aparecem mulheres negras, o texto dizia:
“Não é à toa que Salvador é a cidade mais africana fora da África. Na confraternização de 2024, eu pensei que estivesse na Somália.”

O sentimento de vergonha e impunidade também foi relatado pelas ex-funcionárias. Segundo elas, o empresário afirmava que que nada lhe aconteceria por ser rico. A Revista Afirmativa entrou em contato com o suspeito, até o momento da publicação desta matéria não houve retorno.


