Texto: Divulgação
O Instituto Audiovisual Mulheres de Odun e o Acervo da Lage deram início na última terça-feira (20), às 18h, a exposição “Antônia Visita Pina”, no Café Pina, espaço de convivência na sede do iAMO, localizada no Quilombo do Coqueiro Grande, no bairro de Fazenda Grande 4 (Cajazeiras), em Salvador (BA), com entrada gratuita.
A exposição, que permanece em cartaz até setembro, convida o público para uma experiência que busca articular memória, ancestralidade e práticas curatoriais construídas a partir do encontro entre mulheres negras, suas casas e suas histórias. O projeto foi construído a partir de deslocamentos entre territórios e gerações, proporcionando uma curadoria baseada na escuta, na conversa e na transmissão de memória.
A ideia da exposição começou a ser gestada quando Viviane Ferreira, diretora criativa e de parcerias estratégicas do IAMO, visitou o Acervo da Laje após convite feito por Vilma Santos e Gabriela Leandro. Desse encontro surgiu o desejo de levar as filhas de Pina, avó de Viviane, para conhecerem a exposição Memórias para Dona Antônia, em homenagem à matriarca da família, Antônia, mãe de Vilma.
A curadoria da exposição foi construída de forma colaborativa, com participação direta das filhas das mulheres homenageadas, e contou com assistência curatorial de Viviane Ferreira, Gabriela Leandro e Renata da Silva Cardoso, e expografia de Caroline Souza.
Para Renata da Silva Cardoso, assistente de curadoria, a exposição afirma metodologicamente a legitimidade das experiências de mulheres negras como produção de conhecimento. Ao tomar as relações familiares, a memória doméstica e a vida cotidiana como eixo curatorial, Antônia Visita Pina desloca hierarquias históricas e reafirma esses campos como centrais na escrita da história.
Ao aproximar as trajetórias de Antônia e Pina, a exposição evidencia como essas mulheres se relacionam por meio do cuidado, da fé, do trabalho e da transmissão de saberes, como o conhecimento sobre as folhas, as rezas, os ofícios e as estratégias de sobrevivência cotidiana.
A casa, nesse contexto, deixa de ser apenas espaço privado e se torna lugar de exposição, encontro e produção de conhecimento.
Para Vilma Soares, filha de Dona Antônia, a exposição homenageia a memória da mãe e fortalece o sentido de continuidade entre territórios e gerações. “Ainda estamos em luto, e a memória da minha mãe segue muito viva. Ver Dona Antônia ocupando outro espaço é uma forma de honrar sua história e tudo o que ela representou para nossa família e para a comunidade”, conta.
Para o Instituto Audiovisual Mulheres de Odun, a mostra reafirma o compromisso institucional com a valorização de narrativas produzidas por mulheres negras, com a preservação de memórias historicamente silenciadas e com a criação de espaços culturais vivos, onde arte, território e ancestralidade se encontram.


