Texto: Divulgação
O artista visual Laos, da comunidade de Brasília Teimosa, no Recife (PE), apresenta a exposição Da Próxima Vez, o Fogo!, que reúne 36 ilustrações em nanquim feitas em bico de pena. A mostra propõe uma reflexão sobre identidade negra, ancestralidade e memória coletiva a partir das vivências de um homem negro periférico e ocupa a galeria Espaço Cactus, no térreo do Cais do Sertão, no Bairro do Recife. Quase todas as obras são em preto e branco, com exceção de três trabalhos que recebem fundo aquarelado, reforçando o contraste e a força simbólica dos traços.
Inspirada no livro Da Próxima Vez, o Fogo (1963), do escritor estadunidense James Baldwin, a exposição é concebida como um gesto de reconexão e afirmação cultural. Rostos, símbolos e ritos atravessam o tempo e o corpo nas obras, que dialogam com o imaginário ancestral afro-brasileiro e destacam a negritude como potência histórica, estética e política. “As obras surgem de vivências pessoais, mas também falam de experiências coletivas”, afirma Laos, que realiza sua primeira exposição individual.
Segundo a divulgação, para além do aspecto visual, a mostra pretende carregar uma pulsação poética e política, que se expressa na escolha das referências musicais do artista, como o jazz e a musicalidade de matriz afro-diaspórica.
Laércio Eduardo Nascimento, conhecido artisticamente como Laos, também atua como ilustrador, tatuador e artesão. Seu trabalho é feito à mão e carrega saberes transmitidos pelo pai, sapateiro, em um processo que valoriza a manualidade, a experimentação e o diálogo entre tradição e tecnologia. Sua produção artística transita entre ilustração, pintura, gravura, instalações e colaborações no cinema, sempre tendo a ancestralidade, o corpo negro e a resistência cultural como eixos centrais.
A exposição Da Próxima Vez, o Fogo!, do artista visual Laos, fica em cartaz até 15 de março de 2026, na galeria Espaço Cactus, localizada no térreo do Cais do Sertão, no Bairro do Recife. A entrada é gratuita. A visitação segue os horários de funcionamento do Cais do Sertão: das 10h às 16h, de terça a sexta-feira; das 13h às 18h, aos sábados e domingos; e, na última quinta-feira de cada mês, das 10h às 20h.
A exposição conta com incentivo público por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), com financiamento do Ministério da Cultura, do Governo Federal, do Governo de Pernambuco, da Fundarpe e da Secretaria de Cultura do estado, além da parceria da Empetur e do Cais do Sertão.

