No Rio de Janeiro a ginecologista Helena Malzac, virou ré  pelo crime de racismo contra uma paciente após afirmar que  mulheres negras possuem odor nas partes íntimas 

Por Patrícia Rosa

Imagem: Arquivo Pessoal

A ginecologista Helena Malzac, virou ré  pelo crime de racismo  cometido contra uma paciente de 19 anos, durante uma consulta particular em uma clínica do Rio de Janeiro (RJ). A acusada afirmou para a jovem que a maioria das mulheres negras têm odor  nas partes íntimas. A médica se tornou ré no último dia 31 de maio. 

O programa Fantástico, no último domingo (11), divulgou áudio da audiência, onde a ginecologista confessa o que foi dito na consulta. “ Atendendo a todos os tipos de mulheres, a negra tem um cheiro mais forte. Tanto que essas firmas de desodorante, o desodorante para negro é diferente”, delcarou a acusada, que se defende do crime de racismo alegando que o pai é negro e que não teve a intenção de ofender ou discriminar a paciente.

Helena Malzac virou ré após afirmação racista – Imagem: Reprodução Redes Sociais

O caso aconteceu em fevereiro do ano passado, a paciente foi ao consultório com a madrinha, Luana Génot, que gravou a declaração racista da médica. Nas suas redes sociais, Luana que é diretora-executiva do Instituto Identidades do Brasil,  falou sobre o crime de racismo científico e alertando a população negra. “Se você se consultar com algum/a médico/a e esta pessoa disser que você tem odor mais forte por ser negro, denuncie. Isso não tem comprovação científica. Isso é crime!”

A ginecologista e mulher negra, Jaqueline Neves, acredita que falas como a de Helena Malzac afetam muito pesadamente a saúde das mulheres negras. “O que vemos no caso dessa profissional em ginecologia é o racismo científico, temos que estar atentos  a isso,  de uma forma muito responsável, porque é uma informação falsa e que está sendo passada e fazendo com que cada vez mais pessoas deixem de ir ao ginecologista”, diz Jaqueline. Ela aponta que muitas pacientes negras não frequentam ginecologistas devido ao racismo científico.  

Sobre a declaração racista, sobre a ligação do odor com a melanina, Jaqueline fala que não há nenhum embasamento científico. “A secreção corporal de pessoas negras  e não negras não  têm um odor diferente, com base na cor da pele. O que colabora muito para isso é a flora bacteriana  ou fúngica de qualquer pele,  de acordo com o ambiente que essa pessoa vive, de acordo com o seu cuidado higiênico, com os produtos utilizados”, completa a médica .

Jaqueline aponta que a luta contra o racismo nos atendimentos médicos é ampla e constante. “A  maioria dos médicos são de famílias abastadas e oriundas de herança escravocrata. Minha visão enquanto médica é  de luta constante, sou mulher e médica negra, de pele retinta e cabelo crespo. Ainda temos um caminho longo a trilhar para dizimar o preconceito dentro do meio médico”, finaliza.