O caso aconteceu em 2016; depois de quase oito meses na prisão, e de muita mobilização social em defesa da argentina, sua absolvição foi concedida na última quinta-feira (17)

Da Redação

Imagem: Reprodução/Infobae

Na última quinta-feira (17), a argentina Eva Analía De Jesús, conhecida como Higui, foi absolvida das acusações de matar o homem que tentou estuprá-la. O caso aconteceu em outubro de 2016, quando Higui, estava andando pela cidade de Bella Vista, província de Buenos Aires, e foi atacada por um grupo de homens por causa de sua orientação sexual.

De acordo com seu relato para a polícia e para os juízes, os homens a espancaram e tentaram estuprá-la. “Vou fazer você se sentir uma mulher”, disse a ela Cristian Rubén Espósito, segundo seu relato. Antes de perder a consciência, a argentina enfiou uma faca no peito do agressor.

Quando recuperou os sentidos, foi presa. Mesmo denunciando a tentativa de estupro coletivo e mesmo sendo encontrada inconsciente por policiais, com roupas rasgadas e vários espancamentos, suas alegações nunca foram investigadas. Ela foi acusada de assassinato e passou quase oito meses na prisão.

Higui depôs por quase uma hora na quinta-feira (17). Outras testemunhas já haviam denunciado, entre elas um dos agressores, que alegou que Higui havia esfaqueado Esposito pelas costas. O perito forense questionou essa versão afirmando que a facada ocorreu pela frente.

Um dos principais depoimentos foi o de um policial que esteve no local dos fatos e na delegacia para a qual Higui foi transferida. Ele contou que ela havia sido muito espancada e que eles iam à cela de vez em quando para vê-la para que ela não tivesse convulsões ou para verificar se ela não estava “quebrada”, validando o relato de Higui.

Dezenas de pessoas se reuniram para apoiar sua absolvição ​​durante os três dias de julgamento em frente aos tribunais de San Martín. A causa de Higui foi uma das bandeiras levantadas contra a lesbofobia na Argentina e uma das reivindicações mais ouvidas nas marchas realizadas no Dia da Visibilidade Lésbica (7 de março) e do Dia Internacional da Mulher (8 de março).

“Eu também me defenderia como Higui” foi uma das frases espalhadas nos arredores do tribunal e em inúmeras ruas de Buenos Aires. A grande mobilização social em defesa da argentina contribuiu para que o Tribunal de Apelações de San Martín lhe concedesse extradição extraordinária para que Higui pudesse aguardar seu julgamento em liberdade, até a sua absolvição nesta quinta-feira (17).