Em 2022, o número de casos de feminicídio aumentaram em 6,8 % na Bahia, de acordo com dados da Polícia Civil do estado.

Por Andressa Franco

Foi preso em flagrante na última terça-feira (3), um homem de 48 anos investigado por feminicídio e ocultação de cadáver, pelo assassinato da esposa, no Assentamento Chico Mendes, em Porto Seguro (BA).

O corpo da vítima, identificada como Marlene de Jesus Nunes, de 56 anos, foi encontrado por um de seus filhos, enterrado no quintal da casa onde o casal morava, debaixo de uma mangueira. Ela deixa cinco filhos.

Em depoimento à polícia, o homem relatou que cometeu o crime depois de ser chamado de “corno” pela esposa, com quem era casado há cerca de 20 anos. Disse ainda que havia ingerido bebida alcoólica.

Segundo apuração do Radar News, familiares afirmaram que o suspeito tinha histórico de agressões constantes contra a esposa. O caso está sendo investigado pela Delegacia de Eunapólis, e o suspeito, que segue preso, responde por feminicídio e ocultação de cadáver.

Segundo o delegado que investiga o caso em entrevista ao G1, o suspeito deu uma facada no abdômen da mulher, a deixou morrer e a enterrou em uma cova feita por ele mesmo no quintal do imóvel. A pá e a faca que podem ter sido usados para matar e enterrar a vítima foram apreendidos.

Feminicídio contra mulheres negras

Em 2022, o número de casos de feminicídio aumentaram em 6,8 % na Bahia, de acordo com dados da Polícia Civil do estado. O levantamento corresponde ao período de janeiro a novembro de 2021 e 2022 e registrou 94 feminicídios em território baiano no último ano.

Em 2021, 62% das mulheres vítimas de feminicídio no Brasil eram negras, de acordo com dados do Instituo de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgados em 2022.

A prisão do responsável pelo feminicídio de Marlene de Jesus Nunes aconteceu no mesmo dia em que a nova Ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, tomou posse da pasta, e pontuou como prioridade o combate a violência contra as mulheres negras. Anunciou ainda a composição de uma assessoria especial diretamente vinculada à ela, que contará com especialistas em racismo e “na questão das mulheres negras para nos ajudar no combate às violências a esses públicos”.