Texto: Divulgação
A instalação “OSSALITRES”, do artista Diego Araúja, estreia temporada gratuita em Salvador (BA) entre os dias 28 de março e 1º de abril de 2026, com oito apresentações presenciais: duas sessões diárias (às 18h e 19h30), no Museu de Arte da Bahia (MAB), localizado no Corredor da Vitória.
Realizado pela Plataforma ÀRÀKÁ, o trabalho performado da artista multidisciplinar Laís Machado (Obsessiva Dantesca), é parte de uma pesquisa iniciada em QUASEILHAS (2018-2020), um aprofundamento do conceito de montagem Crioullage: uma poética que traz uma perspectiva crioula de encenação, articulando e mesclando performance, espaço, som e imagem.
A video-instalação se inspira em eventos históricos reais de lutas dos movimentos negros no Brasil e no Mundo do século XX para imaginar a criação de uma língua que não tenha origem no trauma colonial. Em cena, vídeos com imagens documentais — manifestações, movimentos e figuras históricas — são exibidos enquanto Laís Machado narra por cima dessas imagens a ficção dos “Salitres”.
“A ideia é que as pessoas entrem numa espécie de consciência negra. A performer ali é uma alegoria dessa consciência — ela monta imagens, produz material sonoro e videográfico e, ao mesmo tempo, narra, como num fluxo de consciência performática, essa ficção do Congresso de Sal”, diz Diego Araúja.
A sobreposição de camadas — histórica, política e poética; literária, sonora e espacial — destaca o eixo central da obra: a memória negra como território em disputa. “É uma exaltação da memória da luta negra, no sentido de tentar manter essas lutas concretas num tempo em que tudo está fragmentado, considerando que a própria memória negra já é, historicamente, fragmentada”, completa.
Com duração entre 30 e 40 minutos, “OSSALITRES”conta com escritos do artista camaronense Gilbert Ndi Shang, escritor e professor na Universidade de Bayreuth (Alemanha). Já a trilha sonora fica por conta de Matchume Zango, compositor e músico de Moçambique, fundador da Nzango Residência Artística.


