O projeto Tecnologia: Rostos, vozes e cor reúne as experiências de artistas independentes de Salvador e Aracaju

 

A Conexão Malunga, plataforma de discussões dos usos das tecnologias para autonomia, lança o projeto Tecnologia: Rostos, vozes e cor no Instagram e no Twitter em parceria com 9 artistas da Bahia e de Sergipe. Apostando na arte, sobretudo na experiência de slammers e atrizes, a iniciativa promove a conscientização sobre os princípios da Internet no Brasil através do audiovisual.

Durante uma série de vídeos, jovens artistas da Bahia e de Sergipe compartilham fundamentos da legislação sobre Internet em nosso país. A produção artística é o ponto alto do projeto, que se iniciou em 25 de junho, por meio de uma formação em segurança digital como estratégia de promoção da visibilidade de artistas jovens independentes, a partir de referências da afrodiáspora, como Abdias do Nascimento e Audre Lorde.

“Consideramos de extrema importância incluir artista negros nas discussões sobre TIC’s, porque partimos do princípio de que a população negra sempre produziu tecnologia, então os artistas, neste projeto, evocam que o rosto e a voz das tecnologias, que não podem continuar sendo representados só pela branquitude (status de poder conferido às pessoas brancas) ou pensamentos e modelos de negócios eurocentrados”, explica Glenda Dantas, co-fundadora da Conexão Malunga e graduanda em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia.

Para Nathaly Silva, atriz e graduanda em História na Universidade Federal de Sergipe, o projeto permitiu melhorar seu desempenho no ciberespaço. “A oficina veio num momento muito oportuno, visto que dois eventos promovidos pelo coletivo que participo, o Coletivo Negro Beatriz Nascimento (CNBN), foram alvos de ataques virtuais, então além de adquirir o conhecimento, repassei para meus irmãos e irmãs que constroem junto comigo”, explica a ativista.

A formação também contou com um momento de troca de experiência com o rapper baiano Wall Cardozo. O artista independente compartilhou seus processos de construção de conteúdos no ambiente digital, desde organização de tempo para produção, práticas de autocuidado até os programas que mais utiliza. Segundo Bob Lemos,  Mc baiano, criado no bairro da Massaranduba, “a oficina sobre segurança digital me agregou muito, pois através dela melhorei mais ainda meus conhecimentos para utilizar a rede de forma segura”, comenta o sobre a formação do projeto.

 

Como apoiar artistas em tempos de pandemia?

Como agente multiplicador, Bob Lemos, comenta seu processo criativo em meio à pandemia. “O processo de produção da poesia foi um pouco conturbado, pois nesse meio pandêmico, por estar com essa rotina só em casa, senti um bloqueio criativo, porém aproveitei os momentos mais relax para produzir “.

Neste momento, a classe artística foi uma das primeiras afetadas com os decretos de distanciamento social em decorrência do COVID-19. Muitos deles, como slammers e rappers, encontram na rua a oportunidade de formação artística e reverberação de suas obras. No caso de atores e atrizes, desdes os ensaios até apresentações em centros culturais e teatros impactam na continuidade da profissão.

Para apoiá-los individualmente consumir seus produtos, contribuir em doações e financiamentos coletivos são alternativas. Acompanhar e compartilhar nas redes sociais são estratégias para contribuir pelo ciberativismo, já que artistas como nesse projeto, tem na arte um meio para posicionamentos políticos. Contudo, políticas como a Lei Aldir Blanco são fundamentais para evidenciar a arte não apenas como entretenimento, mas instrumento de emancipação.

Conheça todos artistas que participam do Tecnologia: rostos, vozes e cor e os apoie!

 

Sobre a Conexão Malunga

A Plataforma Conexão Malunga foi fundada por duas estudantes de jornalismo da Universidade Federal da Bahia: Glenda Dantas e Mariana Gomes. Atualmente a equipe conta também com outras duas integrantes de Ciências Sociais, Marcela Gomes e Maiara Fonseca , graduandas na UFBA, e Pedagogia, Driele Santos.

Lançada em setembro de 2019, durante o I Festival Baiano de Mulheres na Tecnologia, em um ano a Conexão Malunga realizou diversas séries de debates com temas como COVID-19 nas periferias e racismo algorítmico.  Dentro da tradição de mídia negra, integrou-se a ações coletivas como o Manifesto da Mídia Negra, do Fórum Permanente de Igualdade Racial (FOPIR) e a Nota conjunta de organizações de Direitos Humanos contra propostas normativas que podem levar à criminalização e vigilância de movimentos sociais ao tratar de “fake news”.