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Livro vencedor do prêmio Resistência 2025 articula escravidão, memória e violência racial a partir da música e da literatura

Obra de Carlos Márcio será lançada em Belo Horizonte (MG) com concerto e sessão de autógrafos
Imagem: Reprodução

Texto: Divulgação

Por que a escravidão costuma ser tratada como fato distante enquanto o Holocausto é reconhecido como crime histórico? A pergunta conduz “Racismo, Constante como o Tempo”, o primeiro livro do violoncelista da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, Carlos Márcio. Segundo o autor, a obra parte dessa comparação para discutir permanências do racismo e os modos como a violência contra pessoas negras é registrada, esquecida ou naturalizada.

O livro se organiza em três eixos. O primeiro reúne poemas que listam casos de violência racial, entre eles os assassinatos de Marielle Franco e Moïse Kabagambe. O segundo apresenta crônicas que questionam a forma como Antônio Francisco Lisboa foi nomeado na história da arte brasileira a partir de uma condição de saúde. O terceiro traz um ensaio poético sobre a presença da escravidão como recurso estético em produções artísticas contemporâneas, como a ópera Devoção.

O recorte temporal conecta o sistema colonial escravista no Brasil às violações cometidas sob o domínio de Leopoldo II no Congo, chegando a dados recentes sobre violência racial. Ao longo do livro, o autor utiliza a expressão Fazendas de Concentração para definir a lógica de confinamento e desumanização que estruturou o regime escravocrata. A formulação aproxima passado e presente ao tratar a escravidão como base de práticas que seguem produzindo desigualdade.

Carlos Márcio integra a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e é mestre em Performance Musical pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Sobre a escrita, afirma: “O violoncelo me emprestou um ouvido para o mundo; a escrita me deu uma língua para que tantos olhos enxerguem os silêncios naturalizados.”

Vencedor do Prêmio Resistência 2025 na categoria Poesia, criado para publicar e dar visibilidade à produção literária de autores negros no Brasil, o livro terá lançamento com concerto e sessão de autógrafos no Auditório Vivaldi Moreira, na sede do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais, em Belo Horizonte, no dia 20 de maio, às 20h, com entrada gratuita.

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