Março registrou os maiores índices de pessoas baleadas em Salvador e RMS desde o início de ano

Dos 182 tiroteios mapeados, 77 ocorreram durante operações policiais, que resultaram na morte de 60 pessoas. Do total de atingidos ao longo do mês (188), 88 eram pessoas negras, uma era branca, e 99 não tiveram recortes raciais identificados. 

Texto: Divulgação

Março registrou os maiores índices de tiroteios e de pessoas baleadas em Salvador e Região Metropolitana desde o início do ano, de acordo com o relatório mensal do Instituto Fogo Cruzado. Foram 182 tiroteios, um aumento de 34% em comparação ao mesmo período do ano passado (136). Ao todo, 188 pessoas foram baleadas, sendo 145 mortas e 43 feridas.

Dos tiroteios mapeados nesse período, 77 ocorreram durante ações e operações policiais (42%), que resultaram na morte de 60 pessoas e deixaram outras 16 feridas. Em comparação ao mesmo período do ano passado, o Instituto Fogo Cruzado registrou 136 tiroteios e apontou que 45 deles ocorreram em ações e operações policiais. De lá pra cá foi registrado um aumento de 71% nesses casos.

Os números representam uma média de seis pessoas baleadas por dia, superando o mês de janeiro (média de cinco baleados) e de fevereiro (média de quatro baleados), mês do carnaval. Em março também foi registrada a primeira morte por “bala perdida” de 2024.

Entre as quatro vítimas das chamadas “balas perdidas”, todas de Salvador, está um menino de 5 anos e três mulheres: duas adultas e uma idosa, esta última não resistiu aos ferimentos. A mulher idosa, de 63 anos, identificada como Ana Rita Bispo dos Santos, foi alvejada enquanto aguardava um ônibus na Rua Manuel Barros de Azevedo, no bairro Caminho de Areia. O caso ocorreu durante um tiroteio na região, na noite do dia 7 de março.

A criança de 5 anos, que não foi identificada, foi atingida nas costas no dia 16 de março, durante tiroteio entre policiais e um grupo de homens armados no bairro de Saramandaia.

O perfil da violência armada

Entre as 145 vítimas fatais, 136 eram homens e nove eram mulheres. Entre os 43 feridos, 36 eram homens, cinco eram mulheres e dois não tiveram o gênero identificado.

Do total de atingidos ao longo do mês (188), 88 eram pessoas negras, uma era branca, e 99 não tiveram recortes raciais identificados.

Em março também houve uma tentativa de feminicídio por arma de fogo; seis agentes de segurança atingidos, três feridos e três mortos; além de duas chacinas, que provocaram a morte de seis pessoas.

Observando a faixa etária das vítimas, uma criança foi ferida; três adolescentes foram mortos e um ferido; 140 adultos foram mortos e 40 ficaram feridos; dois idosos foram mortos e uma pessoa ferida não teve a faixa etária identificada.

O mapa da violência armada
  • Salvador: 141 tiroteios, 106 mortos e 35 feridos
  • Camaçari: 16 tiroteios, 19 mortos e 1 ferido
  • Dias D’ávila: 6 tiroteios, 5 mortos e 1 ferido
  • Lauro de Freitas: 5 tiroteios, 3 mortos e 1 ferido
  • São Sebastião do Passé: 4 tiroteios e 4 mortos
  • Simões Filho: 4 tiroteios, 4 mortos e 2 feridos
  • Candeias: 2 tiroteios, 1 morto e 3 feridos
  • Itaparica: 2 tiroteio e 1 morto
  • Madre de Deus: 1 tiroteio e 1 morto
  • Vera Cruz: 1 tiroteio e 1 morto

Entre os bairro mais afetados pela violência armada no mês de março, estão:

  • Paripe (Salvador): 9 tiroteios, 8 mortos e 2 feridos
  • Fazenda Coutos (Salvador): 8 tiroteios, 4 mortos e 1 ferido
  • IAPI (Salvador): 5 tiroteios e 4 mortos
  • Pero Vaz (Salvador): 5 tiroteios e 4 mortos
  • São Cristóvão (Salvador): 5 tiroteios e 4 mortos
  • Fazenda Grande do Retiro (Salvador): 4 tiroteios, 4 mortos e 4 feridos
  • Liberdade (Salvador): 4 tiroteios e 4 mortos

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