Por Matheus Souza
Um desfile em comemoração à ancestralidade africana acabou se tornando alvo de ataques racistas e ameaças de morte em Goiânia (GO). A modelo Josi Albuquerque e sua filha, de apenas um ano de idade, estão sendo alvo de ofensas raciais após a publicação de um vídeo realizado em um shopping da capital goianiense.
A filmagem, publicada pela modelo em suas redes sociais no dia 17 de dezembro, mostra Josi e outras mulheres negras andando pelos corredores do shopping logo após participarem do concurso Miss Afro 2025. As imagens faziam parte de uma ação ligada ao evento.
Após a publicação do vídeo, Josi relata que recebeu diversas mensagens racistas, ameaças de morte e até mesmo de estupro. “Você é uma preta fedida mesmo, já fui preso uma vez, pra ser outra cortando a sua cabeça pode não demorar”, dizia uma das mensagens enviada para a modelo em seu perfil pessoal.
Nos comentários da postagem também houveram ataques raciais.“A senzala invadiu a realeza!”, escreveu um usuário. Em outro, o perfil disse: “Não gosto de preto, mas essas são diferentes, o que a maquiagem e a roupa do estilo do país não faz né.”
Ao G1, Josi relatou que ficou muito triste e perturbada com as mensagens. “Não acredito que o pessoal está falando isso para a gente, oferecendo caixa de banana, me chamando de macaca. Isso me fez vivenciar muita coisa ruim.”
Em nota, a Polícia Civil de Goiás informou que o caso foi registrado na Delegacia Estadual de Atendimento à Vítima de Crimes Raciais e de Intolerância (DEACRI) e que as investigações estão em andamento para identificar os autores das ameaças e ofensas.
A responsável pelo desfile, Nyna Koxta, fundadora do Ateliê Nyna Koxta Moda Africana, também se manifestou e revelou que todas as modelos que apareceram no vídeo foram alvo de ataques semelhantes e também decidiram registrar ocorrência.
Nyna afirma que a denúncia é essencial para combater esse tipo de crime. “Nós precisamos denunciar, expor esses racistas, só assim vão pensar duas vezes. Só quando isso começar a ter uma consequência diretamente”, declarou.
A polícia continua com a investigação para identificar as pessoas que fizeram os comentários racistas e ameaças. Elas serão intimadas para prestar depoimento.


