Após não comparecer à delegacia para prestar depoimento, a defesa de Thais Nakamura, justificou a ausência alegando problemas psicológicos e emocionais provocados por uma crise pós-traumática

Por Daiane Oliveira

Imagem: Reprodução

Flagrada por câmeras de segurança ao imitar um macaco para hostilizar uma família de mulheres negras em um shopping de Cotia, na Grande São Paulo, Thais Pinheiro Nakamura, 40 anos, foi indiciada pelo crime de injúria racial nesta segunda-feira (17). Após ser identificada pelo trabalho de reconhecimento facial da perícia de São Paulo, a autora do crime não compareceu para prestar depoimentos no 2° Distrito Policial de Cotia, no entanto a delegada Mônica Gamboa realizou o indiciamento indireto, quando a pessoa investigada não é localizada.

Thais Pinheiro Nakamura ofendeu três irmãs negras, que estavam acompanhadas do filho e companheiro de uma das vítimas de racismo, no dia 08 de julho em um bar no shopping a céu aberto Open Mall The Square. Segundo testemunhas, a mulher branca se aproximou de Valdemir Inacio de Souza, que acompanhava Rozinei da Silva Mendes e sua família, para questionar o que ele fazia “no meio de negros, sendo um cara branco”. Após o tumulto causado, Thais foi flagrada pelas câmeras do local imitando um macaco.

Em nota enviada ao Metrópoles, o advogado que representa Thais Nakamura, Waldinei Guerino Junior,  afirmou que a acusada não compareceu à delegacia “por problemas psicológicos e emocionais provocados por uma crise pós-traumática” devido ao que chamou de “proporção do incidente”. A defesa ainda informou que o laudo da psiquiatra responsável pelo tratamento de saúde foi entregue à polícia.

Em um vídeo uma das vítimas diz que fecha os olhos e lembra da cena. “A pessoa que insultou a gente estava muito nervosa, descontrolada, como se nós tivessemos feito alguma coisa para ela. Dói demais porque a gente não entende. A gente decidiu fazer esse vídeo para falar que dói sim. Só quem passa sabe que é triste”, afirmou uma das vítimas.

Durante entrevista coletiva, a delegada Mônica Gamboa disse que houve “racismo escancarado” e indiciou Nakamura com base nas imagens de vídeos e relatos das testemunhas, inclusive dos funcionários do estabelecimento. A delegada disse que “pelo vídeo, temos os gestos, a conduta racista não é só verbal. Quando ela dança imitando macaco já demonstra uma conduta discriminatória. As outras provas são os depoimentos das vítimas. O racismo já fica escancarado.”

Apesar do crime de injúria racial ser inafiançável e tem como pena de dois a cinco anos de reclusão, Thais Pinheiro Nakamura segue em liberdade.