Mulheres negras são o grupo mais afetado pela dengue no Brasil, aponta Ministério da Saúde

De acordo com o painel de monitoramento do Ministério da Saúde sobre a dengue, as mulheres negras são o grupo populacional com mais casos prováveis de contaminação pela doença em 2024 no Brasil.

Da Redação

Imagem: Andréa Rêgo/Prefeitura de Recife

De acordo com o painel de monitoramento do Ministério da Saúde sobre a dengue, as mulheres negras são o grupo populacional com mais casos prováveis de contaminação pela doença em 2024 no Brasil. Elas representam cerca de 26% dos casos de suspeita da doença, ou seja, 193,2 mil do total de quase 741 mil casos prováveis contabilizados até o dia 23 de fevereiro. 

São considerados registros prováveis, aqueles em que a pessoa tem dois ou mais sintomas da doença. Até a última quarta-feira (28), o país registrou 991.017 casos prováveis e 207 óbitos.

As mulheres representam 55,1% dos registros prováveis da dengue, sendo elas o grupo que têm mais risco de contaminação pelo vírus. Principalmente aquelas com idade entre 30 e 39 anos, seguidas de 40 a 49 anos e de 50 a 59. A doença representa uma ameaça ainda maior para as gestantes, grupo que corre quatro vezes mais com risco de morte.

Dentre os casos prováveis, a população negra figura como a maior porcentagem, com 47,7% dos casos. Já os brancos, representam 34,5%. Os indígenas são o grupo racial menos atingido, com 0,22%.

O mosquito hospedeiro do vírus da dengue é o Aedes aegypti, que se reproduz mais facilmente em ambientes úmidos e com temperatura elevada. Recipientes com água parada – como caixas, tonéis, barris de água, garrafas, pneus, sacos plásticos, lixo mal descartado e vasos de plantas – são locais ideais para que as fêmeas depositem seus ovos.

Pesquisadores apontam que a falta de saneamento básico, ausência de trabalhos preventivos e a deficiência na coleta do lixo são fatores importantes que levam favelas, periferias e territórios vulneráveis a se tornarem ambientes mais favoráveis à proliferação da dengue. Além disso, a falta de planejamento urbano para as favelas agrava a situação desses territórios nos períodos de fortes chuvas. Até mesmo a irregularidade no fornecimento de água para uso doméstico, que leva a população a armazenar água em objetos que muitas vezes não são adequadamente vedados, podem contribuir para esse quadro. 

No Rio de Janeiro, por exemplo, mais de 270 mil habitantes das favelas enfrentam interrupções no fornecimento de água pelo menos duas vezes por semana, segundo o estudo “Justiça Hídrica e Energética nas Favelas”, realizado pela Rede Favela Sustentável.Já o dossiê Favela é Cidade, lançado pelo Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas) em 2022, mostra que as favelas são territórios formados por maioria de mulheres negras. São 6,3 milhões de mulheres vivendo em favelas, sendo 69% delas negras.

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