Por Andressa Franco

Imagem: Reprodução Facebook

Na noite da última sexta-feira (19), a Polícia Militar de Minas Gerais matou a tiros o estudante Pedro Henrique Costa, na região oeste de Belo Horizonte. De acordo com testemunhas, os PMs teriam confundido o celular do adolescente com uma arma de fogo.

Moradores do bairro Vila Embaúbas afirmam que ações truculentas da Polícia Militar na região são comuns. De acordo com informações de um morador para a Ponte Jornalismo, o estudante estava sentado à beira de um córrego que atravessa o bairro conversando com amigos quando uma viatura da PM ia passar.

Conhecendo o histórico de ações violentas dos agentes, o garoto se levantou e colocou a mão no bolso para pegar o celular, em reação ao movimento do menino, os policiais começaram a disparar.

De acordo com o Conecta Cabana, veículo jornalístico que atua na região onde aconteceu o crime, a versão dos PMs para o registro feito na Polícia Civil foi de que o adolescente teria apontado uma arma para os militares. Narrativa contestada por moradores.

Não se trata de um caso isolado. Em 2018, um jovem negro morador do Morro Chapéu-Mangueira, no Leme, zona sul do Rio, foi morto a tiros por policiais que “confundiram” seu guarda-chuva com um fuzil. Em fevereiro deste ano, um homem negro foi morto pelo seu vizinho, um sargento da marinha, que o “confundiu” com um assaltante. A lista de objetos “confundidos” pelos agentes por armas de fogo também inclui bíblia, furadeira, entre outros. A maioria dos portadores desses objetos, e consequentes vítimas, são homens negros.

Moradores da região chegaram a ir às ruas protestar contra a violência da Polícia Militar e pedir por justiça. O adolescente era o caçula entre os dois filhos de Andreia de Jesus Costa. “Pedrinho era mais um jovem negro, como tantos outros, que gostava de se arrumar, usar correntes, boné, vivia sempre com a camiseta do time da comunidade, o qual era um torcedor fiel. Brincava com todo mundo, gostava de zoar”, descreve um morador para a Ponte.