Da Redação
Uma pesquisa reforça a importância da diversidade racial no corpo docente das escolas brasileiras e aponta efeitos duradouros na trajetória educacional e profissional de estudantes negros. O estudo, do economista Pedro Lopes, intitulado “Os impactos a curto e longo prazo dos professores negros: Evidências do Brasil”, analisou como a presença de professores negros influencia o desempenho escolar desses alunos ao longo do tempo e os resultados no mercado de trabalho.
Segundo o levantamento, quando a proporção desses professores passa de inexistente para metade do quadro docente, há um crescimento relevante nos indicadores educacionais de pessoas negras, pois mais estudantes dessa raça concluem o ensino médio, ingressam no ensino superior e chegam ao diploma universitário antes dos 25 anos.
Nesse sentido, a análise mostrou que a participação de docentes negros de 0% para 50% do quadro escolar está associado a um aumento de 1,9% na taxa de conclusão do ensino médio desses alunos. Outro ponto destacado pelo estudo é que os efeitos são ainda mais significativos entre estudantes que apresentavam dificuldades de aprendizagem nos primeiros anos da escolarização. Esse grupo, historicamente mais vulnerável à repetência e à evasão, mostrou ganhos mais acentuados quando exposto a um ambiente educacional mais representativo do ponto de vista racial.
O avanço também se mostra expressivo nas etapas seguintes, tendo em vista que o ingresso no ensino superior cresce 3,9%, enquanto a conclusão da graduação até os 25 anos apresenta um salto de 5,2%. Os reflexos também aparecem no campo profissional. O levantamento aponta que esses estudantes registram, na vida adulta, um crescimento médio de 2,3% nos rendimentos do trabalho.
Ao mesmo tempo, a análise não encontrou qualquer prejuízo no desempenho de alunos brancos, indicando que os benefícios da diversidade docente não ocorrem em detrimento de outros grupos.


