O Grêmio Estudantil da escola afirma que caso aconteceu em desfile de fantasias no dia 8 de dezembro. A Secretaria estadual da Educação informou que vai afastar o professor envolvido até o término da investigação

Por Andressa Franco

Viralizou nas redes sociais, nesta segunda-feira (20), o vídeo de um homem caminhando pelo pátio da Escola Estadual Amaral Wagner, na cidade de Santo André (SP), vestido com roupas usadas pelos membros da Ku Klux Klan (KKK). 

A KKK foi um movimento racista, antissemita e anticomunista que unia grupo reacionários sob a bandeira da “supremacia branca”, criado em 1860, na região Sul dos Estados Unidos. O grupo foi responsável pela perseguição e assassinato de negros e ativistas de direitos civis, além de ataques terroristas.

Ainda nesta segunda-feira (20), um perfil no Instagram do Grêmio Estudantil e a Atlética da instituição se manifestou, explicando que o caso aconteceu no dia 8 de dezembro. O vídeo teria sido gravado durante um desfile de fantasias organizado pela escola, em que alunos, professores e funcionários poderiam participar. Segundo a publicação, o homem fantasiado era um professor de história, e foi vaiado e retirado da quadra pelos estudantes e membros do grêmio e atlética.

O perfil diz ainda que o professor prestou esclarecimentos na direção. E que os representantes de sala presentes no dia foram convocados pela equipe da unidade escolar, que se retratou e afirmou não compactuar com nenhuma atitude, pensamento ou ideias racistas.

“O caso foi registrado na unidade escolar e encaminhado a diretoria de ensino, órgão responsável por cuidar de casos ocorridos nas escolas estaduais e que pode tomar medidas a respeito do ocorrido. Afirmamos que tanto a escola quanto o Grêmio e Atlética tomaram todas as medidas que estavam ao seu alcance […]. O Grêmio Estudantil e a Atlética da Escola Estadual Amaral Wagner não compactuam com o ato do professor e repudiam qualquer tipo de preconceito e discriminação”, diz um trecho do comunicado.

Em nota, a Secretaria de Educação de São Paulo informou que a Diretoria de Ensino de Santo André formou uma comissão inter-racial para averiguar os fatos. A Secretaria estadual da Educação diz que vai afastar o professor envolvido até o término da investigação. E afirmou que não admite qualquer forma de discriminação e injúria racial. O docente pode responder por crimes de apologia ao crime e de racismo. Se condenado, pode pegar até 3 anos de prisão.

O deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL-SP), que também é doutor em história, professor e diretor de escola pública, publicou o vídeo em suas redes sociais também nesta segunda-feira (20), onde descreveu o episódio como inaceitável. Ele informou que acionaria a Seduc e a Diretoria de Ensino de Santo André, “contra essa cena racista e deplorável de um professor fantasiado com a roupa da Ku Klux Klan, dentro da EE Amaral Vagner. Racistas não passarão!”.

Nesta terça (21), o também deputado estadual Thiago Auricchio (PL-SP) prometeu cobrar a Diretoria de Ensino a respeito do caso. “Não podemos ser coniventes com qualquer tipo de manifestação racista”, escreveu. Também se manifestou o vereador de Araçatuba (SP), Wesley da Dialogue (Podemos), informando que, enquanto vice-presidente da comissão de educação e de direitos humanos da Câmara de Araçatuba, enviaria um ofício acionando a SEDUC. “Fazer apologia a grupos supremacistas, misóginos, xenófobos e racistas é crime, e não podemos aceitar que este crime ocorra dentro de escolas do estado”.