Texto: Divulgação

Imagem: Paula Froés

O sistema educacional mundial precisou se adaptar diante a pandemia do novo coronavirus, o ensino passou a ser remoto/digital e, em alguns países híbridos – digital e presencial. Em Salvador, a escola privada de educação infantil, Maria Felipa, referência e única no Brasil a oferecer uma educação com metodologia antirracista, afro-brasileira, afrocentrada e decolonial, abriu matrículas para crianças de outros estados.

A Escolinha de Educação Infantil Afro-brasileira Maria Felipa é um colégio trilíngue – português brasileiro, inglês e libras e possui um corpo docente com mulheres e homens cis, hetéros, gays e trans. Com a pandemia, pais de outros estados procuraram a Escola e a reestruturação para o digital possibilitou que a educação infantil com base antirracista ultrapassasse a distância e alcançasse ainda mais pessoas.

Através de afroperspectivas, a escola que deseja espalhar pelo Brasil a educação que acredita ser a revolução necessária para formar pessoas igualmente potentes e conscientes, conseguiu alcançar 04 alunos das cidades de Porto Alegre (RS), Aracaju (SE), São Paulo (SP) e Rio Grande do Norte (RN) e tem experimentado o fomento coletivo às famílias de outros estados que desejam educar suas crianças fora da dimensão brancocêntrica, cis e heteronormativa.

“Nós escolhemos a Maria Felipa para que o nosso filho possa trabalhar com a verdade, sem ser formado com omissão das nossas histórias, elucidando como tudo de fato aconteceu. Essa é a importância, são condições de empoderar nosso filho, inclusive no respeito à diversidade, escolhas e orientações das pessoas”, dividiu Erik Bernardes, pai de Vicente, aluno que mora na cidade de Porto Alegre – Rio Grande do Sul e junto com a esposa colocou o filho na Maria Felipa.   

Com o objetivo de romper as barreiras dos sistemas de opressão social, que hierarquizam pessoas pela sua raça, cor da pele, gênero, orientação sexual e outros aspectos que fomentam violências e desigualdades, a instituição pretende partilhar com todo o Brasil a experiência. A intenção é a construção de um futuro onde os símbolos, memória e as particularidades culturais afroindígenas sejam mais vivas, potentes e acolhidas a partir do posicionamento consciente das crianças.

Para Bárbara Carine, idealizadora e consultora pedagógica da Maria Felipa, todas as famílias e crianças são bem-vindas. “São famílias que entendem que não podemos mais educar nossas crianças para um padrão que oprime, exclui e hierarquiza pessoas pela sua raça, cor da pele, gênero, orientação sexual, para diversos aspectos que fomentam esses sistemas de opressão da sociedade”, afirmou Bárbara.

“A revolução que queremos parte de uma formação emancipadora, que liberta, sendo equânime, reconhecendo todas as pessoas envolvidas no processo como protagonistas de suas próprias histórias e como pessoas igualmente potentes e essa revolução cabe a todo o país”, afirma Maju Passos, sócia e mãe de um dos alunos da escola.

A escola está com matrículas abertas para o segundo semestre desde 28 de junho – e segue durante todo o ano letivo, para crianças e famílias que desejam partilhar e dividir novas práticas de educação, que unem ao currículo estabelecido na Base Nacional Comum Curricular às perspectivas decolonial, afro-brasileira, antirracista e afrocentrada.

Para Erik Bernardes, a experiência do Vicente tem sido muito positiva. “Temos percebido que o aprendizado dele reflete em todos nós enquanto família em um contexto em que nos sentimos representados/as”, completou o pai.