Na semana do Dia Mundial do Meio Ambiente o Observatório do Racismo Ambiental (ORA) promove uma série de debates apontando o racismo ambiental no Brasil

Por Daiane Oliveira

Imagem: Divulgação

A Semana do Meio Ambiente é uma agenda que acontece em Salvador com a mobilização de dezenas de ativistas, pesquisadoras(es) e sociedade civil com foco no debate de duas problemáticas mundiais: o racismo ambiental e a crise climática. Entre os dias 03 e 14 de junho, em diversos locais da capital, o Observatório do Racismo Ambiental (ORA) promove uma série de debates em defesa de uma sociedade socialmente, economicamente e ambientalmente justa, e equilibrada para todas as pessoas que vivem nela.

Para Raimundo Nascimento, geógrafo e coordenador do Observatório, é necessário pensar no racismo que estrutura as relações no Brasil e como as mudanças climáticas afetam diretamente a população negra.

“O racismo ambiental, que é na verdade uma forma pela qual o Estado brasileiro, a partir do racismo institucional, reservou para nós negros e indígenas ambientes e espaços extremamente vulneráveis” explica Raimundo Nascimento. Para ele, essa vulnerabilidade, sobretudo na questão de habitação, faz com que essas populações sejam as mais atingidas com as chuvas por exemplo.

O geógrafo ainda afirma que já vivemos os efeitos das alterações climáticas, como o aumento de intensidade e concentração das chuvas em poucas áreas.  “No último período nós tivemos vários eventos com dezenas e centenas de mortos vítimas das chuvas. Tivemos as chuvas fortes na Bahia, em Minas Gerais, Petrópolis e agora no litoral do Nordeste, mais forte em Pernambuco”, aponta Raimundo.

Debates movimentam a Semana do Meio Ambiente

Entre os temas que estão sendo e que já foram debatidos na Semana do Meio Ambiente, destacam-se: “Participação da Juventudes nas Lutas e Enfrentamento”, “Inclusão Socioambiental dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis” e “A Luta dos Povos de Matriz Africana Diante dos Crimes”. Para o coordenador Raimundo Nascimento, o evento é extremamente necessário na busca de dialogar com diversas entidades e suscitar reflexões, encaminhamentos e mudanças.

“Nós trazemos para cena o debate sobre as questões do racismo ambiental e as consequências nas comunidades e populações negras em relação a crise que estamos vivendo, que é uma crise climática”, explica o gestor.

A agenda de lutas propostas é uma realização do ORA, Rede CAMMPI e do Centro de Arte e Meio Ambiente (CAMA) em parceria com em parcerias com comunidades quilombolas, catadores de materiais recicláveis, ativistas do Movimento de Mulheres Negras, Rede de Economia Solidária, organizações religiosas de matriz africana e associações indígenas juventudes, mulheres das águas. Além disso, conta com o apoio da FASE, do Fundo Brasil e da CESE.

Confira o próximo evento

14 de junho, às 9h, a definir

Debate: Racismo Ambiental – Inclusão Socioambiental dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis

Participações: Fórum Lixo e Cidadania