Por Catiane Pereira
Uma mulher foi baleada ao tentar proteger a própria filha de uma situação de violência doméstica na manhã desta sexta-feira (3), no bairro de São Tomé de Paripe, no Subúrbio Ferroviário de Salvador (BA). O autor dos disparos é o suplente de vereador Valdines Mascarenhas de Sousa, conhecido como Val do Gás.
De acordo com informações da Polícia Civil, a vítima, que é ex-sogra do suplente, foi atingida por um disparo no braço, que atravessou a lateral do tórax. Ela foi socorrida e encaminhada ao Hospital do Subúrbio, onde deu entrada consciente e permanece em estado estável.
Relatos iniciais indicam que a mulher foi ferida ao intervir em uma situação envolvendo a filha e o suplente, evidenciando um contexto de violência doméstica. Testemunhas afirmam que o homem havia chegado na casa da vítima sob efeito de álcool pouco antes do ocorrido.
Segundo a investigação, Valdines estava na residência, quando solicitou uma arma de fogo ao próprio motorista, que havia chegado ao local em um veículo. Em seguida, ele teria ido até o carro buscar a arma, e retornado para atirar contra a mulher.
Após o disparo, ele foi encontrado sem vida dentro do imóvel. Uma pistola foi localizada próxima ao corpo. A Polícia Civil informou que o caso foi registrado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que expediu guias para perícia e remoção e segue apurando as circunstâncias do crime, incluindo a origem da arma e a dinâmica da violência.
Valdines Mascarenhas de Sousa tinha 53 anos e disputou uma vaga na Câmara Municipal de Salvador nas eleições de 2024 pelo Republicanos, ficando como suplente. O caso segue sob investigação.
Violência doméstica e responsabilidade pública
A condição do autor como agente político também insere o episódio em um debate mais amplo sobre a responsabilização de pessoas que ocupam ou disputam cargos públicos. Um Projeto de Lei Complementar (PLP 255/2025), em tramitação na Câmara dos Deputados, propõe tornar inelegíveis indivíduos condenados por violência doméstica e familiar contra a mulher. A proposta, apresentada pelas deputadas federais Fernanda Melchionna (PSOL-RS) e Sâmia Bomfim (PSOL-SP), altera a legislação atual para impedir que pessoas com histórico de agressão possam se candidatar.
O texto argumenta que a medida busca reforçar a confiança nas instituições e impedir que agressores ocupem funções de representação popular. “É inadmissível que […] indivíduos que atentaram contra a integridade […] de mulheres venham a ocupar funções de representação”, afirma trecho da proposta.
Outra iniciativa semelhante também avançou no Congresso. Em 2025, a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher aprovou um projeto que proíbe pessoas condenadas por descumprir medidas protetivas de ocuparem cargos públicos ou firmarem contratos com a administração por até cinco anos. A proposta ainda precisa passar pelo plenário da Câmara e pelo Senado.


