Por Francileide Araujo

Neste sábado (04) trabalhadores do bairro 2 de Julho e Joana Angélica em Salvador (BA) se manifestaram contra  agressão da Guarda Civil Municipal (GCM) contra trabalhadoras(es) e camelôs da região durante a retirada de cestas básicas. Por conta da pandemia da COVID-19 o prefeito ACM Neto (DEM) aplicou medidas restritivas como o fechamento total, o chamado lockdown, na região central de Salvador. A restrição acontece após denúncias de aglomeração nos locais e tem previsão de acabar na próxima quinta-feira.

Entretanto, o motivo da manifestação não foram as restrições no bairro, e sim um episódio em que houve de violência física por parte da GCM que acabou com um trabalhador preso. Sábado era o dia destinado aos trabalhadores cadastrados na Secretaria Municipal de Ordem Pública retirarem cestas básicas. Trabalhadores e trabalhadoras com crianças chegaram na fila por volta das 3h da manhã, mas foi depois que amanheceu que a Guarda Municipal chegou agindo com violência, após denúncias de que pessoas que não tinham direito a cesta estavam na fila. Segundo Kátia, trabalhadora de uma barraca de frutas da região, o atrito aconteceu após um guarda pedir para um homem, que estava se esquivando do sol, ir para o lado e depois alegar que o mesmo estava fora da fila, dando um soco em seu rosto. Após a agressão outros trabalhadores se revoltaram tendo como resposta bombas de efeito moral. Kátia, que estava com uma criança no colo, teve uma arma apontada para seu rosto.

Veja vídeo do protesto

Após isso, os trabalhadores e trabalhadoras se reuniram na Joana Angélica para pedir por justiça e a liberdade para  a vítima da agressão, que foi levada presa para Delegacia de Flagrantes. A Polícia Militar chegou no local mas não houve confronto. Após uma assembleia foi decidido que iriam até a estação da Lapa e após alguns minutos foram até a Central de Flagrantes para pedir a liberdade do trabalhador detido, que preferiu não se identificar.

A GCM alega que agressão partiu primeiramente dos trabalhadores e das pessoas em situação irregular que estavam na fila. Entretanto, sabemos como é o modo de agir do Estado para com os corpos negros, maioria na fila para receber a cesta. Não raro justificam suas arbitrariedades culpando as vitimas.