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Organizações indígenas demonstram preocupação com vazamento durante perfuração de petróleo na Foz do Amazonas

Autorização para perfuração foi concedida pelo governo federal mesmo com alertas sobre o risco ambiental da exploração da margem equatorial
Imagem: Agência Petrobras

Por Matheus Souza

No último domingo (4), a Petrobras identificou um vazamento de fluído de perfuração em duas linhas auxiliares conectadas à sonda de perfuração no poço Morpho, em um bloco exploratório na Foz do Amazonas, no Amapá, levando à interrupção das atividades. 

Foram vazados quase 15 mil litros do fluido de perfuração, que é usado para limpar e lubrificar a broca durante a perfuração de poços de petróleo e gás. A substância mistura água, argila e produtos químicos. O composto ajuda a controlar a pressão do poço e prevenir o colapso das paredes.

Em nota divulgada na última terça-feira (6), a Petrobras afirma que o fluido de perfuração atende aos limites de toxicidade permitidos pela lei, é biodegradável e não oferece danos ao meio ambiente ou às pessoas.

Em contrapartida, organizações como o Instituto Internacional Arayara afirmam que incidentes desse tipo evidenciam os riscos estruturais da exploração de petróleo em uma das regiões mais sensíveis do planeta, marcada por alta biodiversidade e pela dependência direta de comunidades costeiras e tradicionais.

A Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Amapá e Norte do Pará (Apoianp) e o Conselho dos Caciques dos Povos Indígenas do Oiapoque (CCPIO) classificaram o vazamento do último domingo como uma “tragédia anunciada”, sendo a confirmação dos ‘piores temores’ para as populações tradicionais. 

Ainda em nota, a Petrobras afirma que adotou todas as medidas de controle e notificou os órgãos competentes. 

Exploração autorizada

A autorização para exploração da Margem Equatorial foi dada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) à Petrobras em outubro de 2025. Na ocasião, a decisão foi celebrada e vendida pelo presidente Lula (PT) e seu governo como uma grande vitória para o país, no que foi prometido como o início da “soberania energética do Brasil”. 

Na mesma época, uma coalizão de entidades ambientais, indígenas e quilombolas ingressou na Justiça Federal, em Belém (PA), com um processo para suspender a licença concedida pelo Ibama à Petrobras, que autorizava a perfuração de poços de petróleo no mesmo bloco onde ocorreu o recente vazamento.

Entre as instituições que participaram da ação estão a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab); a Coordenação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas do Amapá (Conaq-AP); e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).

O Ministério Público Federal (MPF) também entrou com ação na Justiça Federal do Pará solicitando a nulidade ou suspensão da licença de operação da Petrobras no bloco FZA-M-59, onde ocorreu o vazamento.

A ação do MPF indica que os estudos ambientais apresentados pela estatal possuem falhas estruturais e que a empresa não apresentou um Plano de Compensação da Atividade Pesqueira (PCAP) para a fase exploratória.

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