Após ser expulso do partido e os vereadores de Caxias do Sul aprovarem por unanimidade o pedido de cassação, o vereador diz estar arrependido

Por Daiane Oliveira

Nesta quinta-feira (02) o vereador de Caxias do Sul, Sandro Fantinel (sem partido), utilizou as redes sociais para um comunicado oficial pedindo “desculpas” pelo ataque racista e xenofóbico contra os baianos. Na nota ele diz ter tido um “lapso mental” no momento em que disse que: “ a única cultura que eles [baianos] têm é viver na praia tocando tambor”, dentre outras falas que reforçam estereótipos discriminatórios.

“Registro que tenho muito apreço ao povo baiano e a todos do Norte/Nordeste do país. Em um momento de lapso mental, proferi palavras que não representam o que eu sinto pelo povo da Bahia e do Norte/Nordeste”, diz Sandro Fantinel acrescentando que está “profundamente arrependido”.

O arrependimento do vereador aconteceu após o seu antigo partido, Patriotas, realizar a expulsão na quarta-feira (1), afirmando que o discurso de Fantinel foi “desrespeitoso e inaceitável”, além de ser envolto “por grave desrespeito a princípios e direitos constitucionalmente assegurados, à dignidade humana, à igualdade, ao decoro, à ordem, ao trabalho”. Já na manhã de quinta-feira (2), os vereadores de Caxias do Sul aprovaram por unanimidade o pedido de cassação de Sandro Fantinel por quebra de decoro parlamentar.

Entenda o caso de racismo e xenofobia do vereador sulista

Após mais de 200 trabalhadores, quase todos baianos, serem resgatados de trabalho análogo à escravidão em Vinícolas da cidade de Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, o vereador Fantinel foi à tribuna da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul para pedir que os produtores da região não contratem mais “aquela gente lá de cima”, em referência aos baianos.

“Não contratem mais aquela gente lá de cima. Contratem argentinos. São limpos, trabalhadores, corretos e quando vão embora ainda agradecem pelo trabalho”, afirmou. “Nunca tivemos problema com um grupo de argentinos. Agora com os baianos, que a única cultura que eles têm é viver na praia tocando tambor, era normal que se fosse ter esse tipo de problema. E que isso sirva de lição. Que vocês deixem de lado esse povo que está acostumado com Carnaval e festa”, seguiu o vereador durante a sessão gravada.

Após a repercussão, a Defensoria Pública da Bahia divulgou nota de repúdio e informou que haveria representação contra o vereador na Câmara Municipal de Caxias do Sul para que haja apuração e punição por falta de decoro, que pode levar à perda do mandato e que as informações devem ser levadas à Polícia Federal e ao Ministério Público para que outras investigações e processos possam ser instaurados. O Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-BA) também emitiram notas repudiando as falas do vereador.

O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, através de sua conta oficial no Twitter repudiou a fala do vereador e afirmou ter determinado a adoção de medidas cabíveis para punição do vereador. “Hoje, um vereador do Rio Grande do Sul defendeu o trabalho escravo nas vinícolas do estado e ainda foi xenofóbico e racista com baianas e baianos. Eu repudio veementemente a apologia à escravidão e não permitirei que tratem nenhum nordestino ou baiano com preconceito ou rancor”, escreveu.