Em áudio difundido nesta segunda-feira (13), o comerciante diz que faria tudo de novo

Por Andressa Franco

Imagem: Reprodução

No último sábado (11), a cidade de Portalegre, no Rio Grande do Norte, foi cenário de um caso de violência contra um homem quilombola. Luciano Simplício teve os pés e as mãos amarrados, foi agredido com chutes e arrastado pela rua por um comerciante bolsonarista, Alberan Freitas, dono de um mercadinho.

De acordo com moradores, o comerciante teria espalhado pela cidade que o jovem era “bandido e drogado”, e sua reação foi jogar pedras no estabelecimento do bolsonarista. Alberan, então, o amarrou e começou as agressões. No vídeo, ele pisa em Luciano, amarrado no chão e sem camisa, enquanto os moradores filmam e pedem para que o comerciante pare.

O caso foi registrado na Delegacia de Pau dos Ferros, onde o delegado Paulo Pereira autuou o quilombola por depredação, e Alberan por lesão corporal. As investigações seguem na Delegacia de Portalegre, e de acordo com o delegado Cristiano Gouveia da Costa, apenas o vídeo é suficiente para observar crime de tortura, já que o homem é agredido mesmo estando amarrado.

A Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (Conaq), a Ouvidoria do Governo do Rio Grande do Norte e a Coordenadoria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Rio Grande do Norte (Coeppir) acompanham o caso. Segundo informações obtidas pela Revista Fórum, Luciano está em situação de rua desde que perdeu os pais.

Em áudio difundido nesta segunda-feira (13), Alberan Freitas mostra que não só não está arrependido, como também afirma que faria tudo de novo. “Nada demais, isso é só movimento. Isso já era esperado, mas não estou arrependido não. Para defender o que é meu, eu faço. Fiz e faço quantas vezes for preciso”.

Reação da CONAQ

Em nota publicada hoje (14), a Conaq exige a apuração dos fatos por parte das autoridades públicas e acompanhamento da vítima por serviços de assistência jurídica, social e psicológica.  

“Conforme levantamento realizado pela CONAQ e disponibilizado no livro Racismo e Violência contra Quilombos no Brasil, nos últimos 04 (quatro) anos houve um aumento de 350% (trezentos e cinquenta por cento) de homicídios de quilombolas, cuja omissão e conivência do Estado Brasileiro é cada vez mais evidente!”, diz um trecho da nota, assinada por outras 45 entidades.

“Trata-se de uma política de extermínio da população quilombola orquestrada pelo atual Presidente da República. As iniciativas de alteração da legislação para armar fazendeiros, invasores e a elite branca, flexibilizando aquisição de armas em detrimento da inexistência de políticas públicas para as Comunidades Quilombolas demonstra o intuito ora denunciado pela CONAQ”.

Leia a nota na íntegra aqui.