Texto: Divulgação
Brasília (DF) recebe, a partir deste sábado (24), a 3ª edição da Marsha Trans Brasil, que segue até o dia 27 de janeiro com uma agenda que articula manifestações de rua, debates públicos, atividades culturais, ações formativas e encontros institucionais. Realizada no mês da Visibilidade Trans, o ponto alto da programação será a marcha, marcada para o domingo (25), às 13h, em frente ao Congresso Nacional, e busca reafirmar a capital federal como espaço estratégico de incidência política e de construção coletiva por direitos, reunindo pessoas trans, travestis, ativistas e organizações de diferentes regiões do país.
A Marsha Trans Brasil se consolida como uma mobilização de caráter nacional ao articular pautas históricas do movimento trans com a ocupação do espaço público e o diálogo direto com as instituições. A proposta é tensionar o Estado a partir da presença coletiva, tornando visível uma população que segue sendo sistematicamente excluída das políticas públicas e dos espaços de decisão.
Os dados que impulsionam o ato evidenciam a dimensão da violência enfrentada por travestis e pessoas trans no país. Levantamento da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) aponta que, em 2024, 122 pessoas trans foram assassinadas no Brasil. Mesmo com a redução registrada em relação ao ano anterior, o Brasil mantém, pelo 16º ano consecutivo, o posto de país que mais mata pessoas trans no mundo. O perfil das vítimas revela um recorte racial, social e regional marcado por juventude, negritude, pobreza e origem nordestina, além de uma expectativa de vida que não ultrapassa 35 anos.
É nesse contexto que o tema desta edição, “Brasil soberano é país sem transfobia”, tensiona o debate público ao relacionar democracia, direitos humanos e soberania. A mobilização se inspira no legado de Marsha P. Johnson, mulher trans negra, drag queen e ativista que esteve entre as protagonistas da Revolta de Stonewall, em 1969, episódio que deu origem ao Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+.
Em posicionamento público divulgado nas redes sociais, a organização do ato afirma que a noção de soberania não pode ser dissociada da proteção à vida. “A verdadeira soberania de uma nação se mede pela capacidade de proteger o seu povo. Enquanto o Brasil seguir negando acesso à saúde, ao trabalho digno, à educação, à segurança, e permitindo que pessoas trans sejam alvo constante da violência, nossa democracia estará incompleta.”
A Marsha Trans Brasil é organizada pela Antra em parceria com mais de 60 instituições e coletivos ligados à defesa dos direitos humanos. A programação ocupará diferentes espaços da cidade e inclui a Jornada IBRAT 2026 como atividade de abertura, seguida pelo Bailinho Trans, com ações voltadas a jovens, crianças trans e suas famílias.
Ao longo do evento, a mobilização promove formações políticas, seminários temáticos, diálogos com representantes do Executivo e encontros que reafirmam a presença trans como dimensão central da vida política brasileira. A Revista Afirmativa irá realizar a cobertura do evento em Brasília.
Para conhecer a programação completa, acesse o perfil da Marsha aqui.


