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9ª edição do dossiê sobre assassinatos de pessoas trans no Brasil é lançada durante Marsha Trans

O levantamento aponta 80 assassinatos em 2025; pessoas negras são as mais afetadas pela transfobia
Imagem: Tomaz Silva / Agência Brasil

Por Patrícia Rosa*

A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) lançou na tarde desta segunda-feira (26), a 9ª edição do Dossiê “Assassinatos e violências contra transexuais e travestis no Brasil em 2025”, em uma cerimônia no auditório do Ministério dos Direitos Humanos, em Brasília (DF).

O relatório mostra que o Brasil segue em primeiro lugar entre os países que mais matam pessoas trans no mundo, considerando aqueles que contabilizam esses dados, pelo 18º ano consecutivo. De acordo com informações da Antra, foram 80 pessoas assassinadas no Brasil em crimes transfóbicos em 2025, em sua maioria marcados pela crueldade.

Para Bruna Benevides, presidenta da Antra, o dossiê é uma ferramenta de memória, denúncia e enfrentamento político. “Para a comunidade trans e travesti, ele rompe com o apagamento, reconhece nossas mortes como violência sistemática e afirma que nossas vidas importam.” 

A ativista aponta que os dados são importantes para qualificar a denúncia, assim como para retirar do poder público qualquer possibilidade de negar a realidade. “Eles mostram quem são as vítimas, onde a violência ocorre e como ela se repete ao longo dos anos, oferecendo base concreta para exigir políticas de prevenção, proteção e responsabilização. O dossiê transforma dor em evidência, e evidência em pressão política, fortalecendo a incidência junto a governos, parlamentos e órgãos de justiça.”

Apesar dos dados alarmantes, eles também apontam uma redução de 34% no número de assassinatos de pessoas trans em relação ao ano anterior, passando de 124 casos em 2024 para 80 em 2025. No entanto, o documento aponta que a diminuição do volume de dados de assassinatos disponíveis pode induzir à interpretação equivocada de uma suposta melhora no cenário.

“A redução métrica aparente não reflete avanços estruturais, proteção do direito à vida ou fortalecimento da cidadania com a garantia de direitos fundamentais, mas evidencia a consolidação de novos mecanismos de invisibilização da violência”, aponta o dossiê.

Com relação ao número de assassinatos por estado, Ceará (CE) e Minas Gerais (MG) aparecem no topo do ranking, com oito casos cada. Bahia (BA) e Pernambuco (PE) empatam com sete registros de assassinatos. A região Nordeste aparece com a maior concentração de assassinatos em 2025, com 38 casos no total.

O relatório ainda aponta que pessoas negras são as mais vitimadas pela transfobia. Dentre os 57 casos em que foi possível determinar a raça/cor das vítimas, 70% eram pessoas negras. Entre 2017 e 2025, a média de pessoas trans negras assassinadas permaneceu em 77%, enquanto pessoas brancas somaram 22%, e pessoas indígenas representaram 1% dos casos.

Programação da 3ª Marsha Trans Brasil continua 

O lançamento do dossiê fez parte da programação da 3ª edição da Marsha Trans Brasil, que segue até o dia 27 de janeiro, com uma agenda que conta com debates públicos, atividades culturais, ações formativas e encontros institucionais. Nesta segunda-feira (26), Brasília recebeu eventos como o Fórum Nacional de Masculinidades Negras, o Seminário Ativismos e Famílias em Defesa das Juventudes Trans e o Fórum Nacional de Marsha Trans, que contou com a presença do ativista Diego Nascimento, diretor de programas da Associação Baiana de Travestis, Transexuais e Transgêneros em Ação (Atração).

Ele destacou o lançamento do Fórum Nacional de Articulação das Marchas Trans, uma iniciativa que surge a partir do diálogo entre a Antra e organizações como a Atração e a Liga Transmasculina João W. Nery, responsáveis pela Marcha Transnacional, pela Marcha Trans da Bahia e pela Marcha Trans do Rio de Janeiro. 

Segundo Diego, o fórum nasce como um ponto de articulação das diversas marchas trans construídas no Brasil. O objetivo é estabelecer um diálogo permanente e contínuo entre essas articulações, construir um calendário nacional unificado, captar recursos de forma conjunta e ampliar o número de marchas trans realizadas no país.

*com  contribuições de Alice Victoria 

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